Dra. Juliane Borsa
Psicóloga (07/13425); Doutora em Psicologia (UFRGS); Terapeuta Cognitivo-Comportamental para Mulheres
14/11/2025
Entre o salão e o espelho, entre liberdade e pressão estética: somos a geração que ainda não sabe o que fazer com os fios brancos.
Neste episódio, conversamos sobre o peso simbólico do grisalho, a herança dos padrões que herdamos das nossas mães e o novo lugar de escolha que começa a surgir para mulheres 30-40+.
Um papo sobre beleza, autonomia e envelhecer com liberdade.
Vem pensar com a gente!
https://open.spotify.com/episode/7mDLsMFCHDskOWQSZYKgEy?si=5330f61027d04ad3
CABELOS BRANCOS Fora Isso Tá Tudo Bem · Episode
22/10/2025
Eu ia postar essa foto nos stories mas achei que ela merecia vir para o feed...
Porque é maravilhoso reencontrar uma amiga querida e mais maravilhoso ainda é jogar mais de 2h de tênis com ela. O tênis, essa paixão em comum, dentre tantos outros interesses que nos conectam desde o dia em que nos conhecemos, no IP da UFRGS. A psicologia. A literatura. As viagens. A maternidade. A admiração pela Iga e suas excentricidades! 😅
Tenho tido dificuldade de organizar minha agenda em meio a tantos compromissos pessoais e profissionais. E particularmente nesses últimos meses, tenho feito um esforço imenso para não deixar a casa cair, para não esquecer de mim ao cuidar de tanto e de tantos.
Para que, em meio ao furacão, eu lembre primeiro de me manter segura para, então, ajudar os outros a estarem seguros também.
As pessoas me perguntam como eu consigo passar tanto tempo em quadra estando tão sobrecarregada. Mas eu acho que é justamente o tênis que me permite lidar com tantos desafios sem quebrar (mas ok, tá rolando uns remedinhos também, tem a psicoterapia e novos projetos pessoais e profissionais que estão me dando um gás, como o podcast FITTB, a oficina de escrita e um livro de contos que finalmente estou colocando no papel).
Mas voltando,
O tênis tem um pouco esse lugar!
De me manter sã.
De me trazer para o momento presente.
De me permitir prestar atenção no meu corpo, na minha respiração, nos batimentos do meu coração.
De me fazer sentir viva!
Obrigada Mari por esse encontro.
Obrigada saibro sagrado por me dar tanto!
"Colocar o prazer na agenda"!
Algo que parece tão óbvio, mas que se tornou um comportamento disruptivo para a sociedade da pressa e dos resultados.
E se pensarmos nas mulheres, que são julgadas o tempo todo, até mesmo por olhar para as próprias necessidades, o prazer se torna sinônimo de culpa e motivo de vergonha.
Uma tarefa invisível, desvalorizada e que, historicamente, é realizada, pelas mulheres. Planejar, gerenciar e controlar as tarefas domésticas são parte do trabalho de cuidado ainda pouco reconhecido e valorizado na nossa cultura.
Como mostra o vídeo, estar no comando também é um fardo. E isso cansa e cansa muito!
E eu pergunto pra vocês:
Na sua casa, quem se responsabiliza pelas demandas de cuidado? Quem é que sofre com a sobrecarga mental?
Quem corre atrás do 'cabelo maluco', da fantasia do halloween, dos presentes de aniversário, da maquete da escola, da lembrancinha da prof, do lanche especial? Quem marca pediatra e faz a lista da escola?
E o mais importante, como pensar em formas de dividir tais demandas (tão invisíveis quanto exaustivas) e, assim, equilibrar a carga mental?
-
Esse vídeo é parte da campanha “Carga Mental: estar no comando também é um fardo”, idealizada e desenvolvida em 2023 pelo coletivo - uma organização chilena que promove a transformação social, cultural, normativa e organizacional para a igualdade de gênero.
--
12/10/2025
Disse Isaac Newton:
"Tenho a impressão de ter sido uma criança brincando à beira-mar, divertindo-me em descobrir uma pedrinha mais lisa ou uma co**ha mais bonita que as outras, enquanto o imenso oceano da verdade continua misterioso diante de meus olhos."
Eu continuo sendo essa criança da foto... inquieta, curiosa e encantada com o simples. Às vezes me olho no espelho e vejo a menininha da bicicleta me olhando de volta e dizendo: “Ainda estamos aqui, maravilhadas com o mistério de estar viva.”
Todos os meus dias são dedicados a cuidar e acolher a criança que habita nas minhas pacientes, permitindo a reconciliação com o passado e o reconhecimento da mulher adulta que cada uma se tornou.
Como mãe, sou incansável na proteção da infância dos meus filhos, para que ela seja longa e intocável. É privilégio ser capaz de conectar minha criança com a dos meus filhos e, assim, ocupar o devido lugar que a maternidade afetiva, empática e responsável me convoca a assumir.
Me sinto honrada por poder cuidar das feridas de tantas crianças machucadas que moram nas mulheres adultas que chegam no meu consultório.
Meu desejo hoje é que todas as crianças tenham adultos capazes de zelar por elas. E que todos possam viver em paz com as crianças que um dia foram e com os adultos que se tornaram.
Feliz Dia das Crianças!
A criança que habita em mim saúda a criança que habita em você. ❤️
06/10/2025
Odiar o próprio corpo.
É isso que a sociedade espera que você faça.
Mas é realmente isso que você quer e merece fazer consigo mesma?
Desde cedo, nos ensinam a olhar para nosso corpo como algo a ser corrigido, escondido, oprimido.
Mas quando a gente começa a perceber que esse ódio não nasceu em nós, e sim foi ensinado e repetido "ad nauseam", algo muda.
Cuidar do nosso corpo é um ato de amor, mas odiá-lo é o resultado de uma cultura que lucra com a nossa insatisfação.
E se, em vez de tentar caber, a gente começasse a habitar nosso corpo com gentileza?
30/09/2025
Saí do interior da França para viajar ao sul da Itália com A Carteira, de Francesca Giannone. É uma leitura que me prendeu, devorei em um par de dias.
O romance acompanha Anna Allavena, uma mulher do norte da Itália que se muda, em 1934, para Lizzanello, no sul (região de Salento), junto com o marido e o filho.
Sua chegada é marcada por um choque de culturas (norte-sul, tradições fortes, costumes patriarcais). Com alcunha de "forasteira", Anna acaba se tornando a primeira carteira daquele vilarejo. Ela entrega correspondências, cartas de soldados e segredos amorosos . Por meio desse papel, torna-se um fio invisível que conecta dezenas de vidas. Anna escuta, entrega, convive com os silêncios e com os mundos interiores de outras mulheres (e homens).
Ao mesmo tempo, sua postura insubmissa e questionadora gera conflitos e sofrimento às pessoas que não compactuam com suas decisões e não comungam de suas ideias. Seu desconforto diante do mundo e seu desejo genuíno de ajudar a faz ser, muitas vezes, intrusiva e autoritária (coisa que os homens sempre foram sem serem questionados). A verdade é que Anna abriu mão de ser feliz para ter razão. Me deixou pensando sobre até que ponto podemos interferir naquilo que não nos pertence. Ou antes disso, me fez pensar sobre o que de fato nos pertence.
A história de Anna atravessa a vida de muitos outros personagens que acabam pouco explorados. Muitos temas, ao meu ver, poderiam ter sido mais aprofundados e melhor amarrados. Mesmo assim, trata-se de uma obra valiosa para o público feminista, especialmente por oferecer uma protagonista forte, um contexto histórico que evidencia as questões de gênero e um símbolo potente representado pela carteira. Acima de tudo, é uma narrativa que lembra que as mudanças se constroem no cotidiano, nas pequenas batalhas individuais e coletivas.
23/09/2025
E não é que o corpo da mulher se torna, vez após vez, território de disputa política Alguma surpresa?
Não bastaram séculos de controle sobre a fertilidade, sobre a maternidade, sobre o desejo, agora, até um comprimido de paracetamol se transformou em campo de batalha ideológica.
Não se engane. O anúncio recente do governo americano de que o uso de Tylenol na gravidez estaria associado ao autismo não é só um equívoco científico. É um projeto político.
Quando um governo decide soltar ao mundo uma suspeita sem sustentação cientifica sólida, o que se produz não é cautela. É medo. E esse medo não recai sobre homens em suas salas luxuosas e climatizadas, mas sobre mulheres já vivem o turbilhão físico e emocional da gestação.
A cada “descoberta” lançada por conveniência política, reabre-se uma velha e conhecida ferida, a de que o nosso corpo não nos pertence.
O corpo de uma mulher sempre foi objeto de vigilância, de julgamento e disputa de poder. E ainda é. A mulher grávida, especialmente, não carrega apenas um feto, mas também a expectativa impossível de perfeição, já que qualquer escolha pode ser transformada em falha, em risco e em crime contra a vida.
As evidências científicas reunidas até o momento, mostram que não há relação direta entre o uso de paracetamol (acetaminofeno) na gestação e problemas de desenvolvimento de crianças. Mas, infelizmente, a ciência importa menos do que o espetáculo, porque o que se busca não é proteger crianças, mas manipular narrativas. E nessa manipulação, quem sofre as consequências é a mulher grávida que agora hesitará diante de um comprimido para febre ou dor.
Transformar dúvidas científicas em bandeira política é um desserviço, pra dizer o mínimo. É brincar com a vida de mulheres e crianças em nome de agendas de poder. No fim, o resultado é mais uma carga de culpa sobre quem já carrega uma tonelada delas. É uma violência silenciosa e dolorida. Quem já gostou sabe o peso de sentir que seu corpo não lhe pertence, que suas escolhas não importam.
Enquanto permitirmos que a saúde das mulheres seja usada como moeda de troca em disputas de poder, não haverá comprimido capaz de aliviar o sofrimento de mais esse controle.
22/09/2025
Meu queridinho de 2025 até agora! Tirou a tetralogia napolitana do Top 1.
Amei a escrita fluida e cativante da e já quero ler os outros.
Três é uma narrativa com muitas camadas. Mergulha fundo no que há de mais bonito e complexo nas relações de amizade. Fala sobre amor, cumplicidade, aceitação, perdão... mas também de faltas, perdas, medos, silêncios, expectativas versus realidade.
Acima de tudo, é uma história que fala sobre a importância de dar uma nova chance à vida e a nós mesmas.
Amei cada linha!
11/09/2025
De braços dados, os passos se tornam mais firmes e a caminhada mais leve. 🤍
Imagem por .mind
06/09/2025
Hoje é dia do irmão e da irmã. E no meu caso, hoje também é dia dos meus melhores amigos, meus parceiros, cúmplices, confidentes, compadre e comadre dos meus filhos. O elo forte que liga quem fui, quem sou e quem irei ser.
Ouço tantas histórias de irmãos que não se importam um com outro e até que se odeiam. E eu sou imensamente grata aos nossos pais por terem nos ensinados, desde pequenininhos, a cultivar essa relação tão linda. A sementinha foi plantada em gestos simples, como quando minha irmã nasceu e mandou um presente para mim e meu irmão como forma de agradecer por estar vindo fazer parte da família. Ou quando diziam que em qualquer grupo de amigos, tínhamos sempre que defender uns aos outros (nem que fosse pra resolver o problema em casa).
Me pego todos os dias repetindo para as crianças as frases que eu sempre ouvi:
Cuidem um do outro. Sejam amigos. Não briguem. Protejam-se. Sejam gentis. Fiquem juntos. Se ajudem. As pessoas vem e vão, os irmãos ficam.
Não consigo imaginar minha vida sem vocês. E não consigo pensar em como seria viver esse momento tão difícil sem esse amor e essa parceria que só nós sabemos a força que dá.
Quando penso em tudo que vivemos e estamos vivendo, lembro sempre da musiquinha do Richi e Poveri:
"Tutti uniti siamo forti
Mille occhi, mille ali
Tutti uniti, tutti uguali
La paura che cos'è?
Al mio fianco c'è un fratello
Che ha bisogno anche di me
Tutti uniti siamo forti
Non temere, sto con te"
03/09/2025
Quando o tempo de descanso de uma mãe só é legitimado se negociado com os filhos, vemos como o cuidado com quem cuida continua sendo invisível.
Para acompanhar o cartoon do , trago essa trilha sonora da cantora inglesa Paris Paloma, Labour.
A conheci por meio de uma paciente. E essa letra vem me dando o que pensar, pois me remetem a memórias, registros pessoais, relatos que coleciono ao longo da vida.
A letra fala da realidade que se mostra, nua e crua, diluída no desgaste da vida comum, na microgestão do cotidiano, na rotina dos atos de serviço que arrasta um peso invisível e leva a mulher à exaustão para que o outro possa dormir tranquilo.
"You make me do too much labour", ela repete, e quem já se sentiu engolida pelo cansaço sabe que isso não é exagero.
A letra fala justamente sobre o trabalho emocional, a carga mental, a exaustão de ser não só a parceira, mas a administradora de um relacionamento. Aquela que pensa, que lembra, que chama. O b***o de carga. A pessoa que carrega o peso do piano, sempre correndo, sempre em falta.
Cada verso da canção traduz uma experiência já vivida na própria pele ou um relato de experiência de alguma outra mulher próxima. A mãe, a irmã, a prima, a amiga, a vizinha... muitas.
Cartoon, letra de música, filme, série, debate, matéria de revista, podcast... mas e a realidade? E as mudanças concretas?
Até quando o descanso das mulheres será tratado como luxo e não como uma necessidade básica?
Clique aqui para requerer seu anúncio patrocinado.