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Works of faith,hope and love,www.faopal.hu
CHAMADO AOS ARTISTAS, COMPOSITORES, CRIADORES

Pesquisa, redação e diagramação de editais
Negociação para apresentação em espaços institucionais ou alternativos
Presença em redes sociais, Face, Insta, Twitter, Podcasts (todas, pagas ou não)
Edição de imagens e vídeos para divulgação
Negociação com fornecedores
Criação de redes para colaborações
Exposição em revistas
Organização de intervenções
Verif**ação das condições adequadas para apresentação
Desenho de projeto de carreira em roadmaps
Estruturação de processos para projetos, com datas e limites
Organização de processos de trabalho visando metas
*Enfim, eu faço tudo para que o trabalho seja feito com o mínimo de stress possível*

*E, por isso, eu cobro somente 50,00 mensais.* É de se pensar, para se livrar das agruras de negócios e burocracias necessárias ao advento da arte.

Eu atuei na publicidade durante anos no Brasil. Tive campanhas grandes e menores, envolvendo desde produção de eventos até Marketing Digital (de verdade, com resultados palpáveis) cuidando de milhares de reais investidos por empresas em Google, Facebook, Instagram, Podcasts e vídeos (incluindo sua edição e divulgação)

Minha formação é em Letras-Linguística e desenvolvi minhas pesquisas interessado na intersecção entre artes visuais e poesia (abertas pelo movimento concretista, olha aí embaixo um poema deles).

Atualmente, me dedico à crítica da crítica e da curadoria para os trabalhos artísticos. crítica e curadoria estas que vêm desde as escolhas em editais, por exemplo, nos meios tradicionais de exposição de arte).

Meu trabalho aqui em Portugal (ainda recente) tem sido no sentido de provocar debates entre artistas, enriquecendo a produção individual e coletiva. Nesse sentido, por exemplo, organizo uma revista de divulgação popular da arte produzida, com tiragem em meio físico, objeto de arte; quanto digital, informativo de arte - terá uma inauguração, ainda sendo negociada, que envolverá Brasil, Portugal, inicialmente, mas pretende se expandir aos países lusófonos, dando holofotes às suas produções.

Por ora, eu tenho ajudado a organizar o trabalho de uma pessoa que tem se tornado minha melhor amiga, parceira de ideias e canto que alegra os meus dias, chamada Lorena Lumi

Artist-run space in Porto. The Fundação Manuel António da Mota’s cultural programme ARTES aims to reflect new forms of artistic production and is dedicated to promoting and increasing access to the visual arts through an artist-led, community engaged programme of exhibitions.

The programme includes a series of exhibitions, performances, film screenings, workshops and research projects, taking place concurrent to the Foundation's activities.

Funcionando normalmente

Photos from Artes's post 13/08/2021

Agradecemos a todos que vieram visitar a exposição individual “Artefactos” da artista Margarida Lopes Pereira que terminou ontem. Caso não tenhas conseguido ver a exposição, partilhamos algumas imagens.

Margarida materializa a uma pesquisa sobre herança cultural, incongruências visuais e tácteis, e também responsabilidade ambiental, em 15 jarras escultóricas. Costuradas a partir de esponja de mobiliário que era desperdiçada, as peças apresentam um caráter questionador no que se trata da forma com que criamos e materiais que utilizamos. A técnica da artista revela uma observação do quotidiano e uma reflexão de possíveis cenários futuros.
Artefactos foi uma exposição que questionou sobre quais serão os materiais e objetos encontrados no futuro por arqueólogos e como a história desses objetos e da sociedade poderá ser contada e exposta nos museus.

Para ver mais obras da artista, visite a sua página do Instagram @margaridalpereira

Photo credit: Filipe Braga

Photos from Artes's post 30/07/2021

Natural de Lisboa, Margarida Lopes Pereira ( @margaridalpereira )viveu 4 anos em Copenhaga - cidade onde fez o Mestrado em Design de Cerâmica, pela Royal Danish Academy of Fine Arts. Regressou recentemente a Portugal onde tem o seu atelier, dando continuação ao trabalho e pesquisa desenvolvidos a partir do seu mestrado. O seu trabalho explora maioritariamente a apropriação de técnicas tradicionais de diferentes áreas, como bordado e cestaria, aplicados em materiais inesperados, trazendo-lhes assim um novo contexto

No @aartes.porto, Margarida Pereira apresenta, pela primeira vez, as suas mais recentes obras de arte que desdobram a sua pesquisa sobre heranças culturais, incongruências visuais e tácteis, responsabilidades ambientais e o valor do objecto artístico enquanto artefacto cultural de uma futura geração.

A exposição, “Artefactos”, estará patente no @aartes até dia 8 de Agosto e pode ser visitada todos os días por marcação através do Instagram ou e-mail.

09/11/2020

Esta Quarta-feira, dia 11 de Novembro, inaugura no ARTES a exposição “ɐfɛˈtar” de Camila Tisott.

A exposição abrirá ao público dia 11 de Novembro ás 18:00 e estará patente até dia 2 de Dezembro com visitas somente por marcação (936749282).

Para visitar o espaço também será obrigatório o uso de máscara com um limite máximo de 3 pessoas por grupo.

20/10/2020

Este sábado dia 24 Outubro, inaugura no ARTES a exposição “Sonic Materialities” de Andreia Santana, com curadoria de Marta Espiridião.

A exposição abrirá ao público no dia 24 de Outubro, entre as 15h-20h,

com uma performance de Francisco Antão.

Está exposição inaugura em paralelo ao evento Via Aberta.

Exposição estará patente até dia 7 Novembro, com visitas somente por marcação, 937108120.

Uso obrigatório de máscara, e limite máximo a 3 pessoas por visita.

Este projeto integra no programa de apoio à criação artística do Criatório, em parceria com o Colégio das Artes.

19/10/2020

Este weekend @ CC Mota Galiza!!

Via Aberta na sua 3a edição, este ano com curadoria de Sylvia Chivaratanond e Carlos Pinto.

Haverá Guias de Exposição* (performance concebida por Luísa Mota), que se encontrarão na entrada da Rua Júlio Dinis.

24 e 25 de Outubro


Performances às 16h e 18h.

Este evento cumpre todas as normas delineadas pela DGS face à situação atual.

*diário.

06/02/2020

Obrigado A Montanha!
Inauguração amanhã, 7 de Fevereiro
17h às 21h30

Inaugura amanhã na Artes - Galeria Mota Galiza, no Porto, a exposição True Node Parte II (Cabeça), uma exposição colectiva com curadoria de Carolina Trigueiros, e trabalho de Diogo Bolota, Hugo Bernardo, e Pedro Calhau, todos amigos d'A Montanha, e este último fará parte da programação final da galeria. A visitar.
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True Node Parte II (Cabeça) opens tomorrow in Porto at Artes - Galeria Mota Galiza. The group show is curated by Carolina Trigueiros, and includes work by Diogo Bolota, Hugo Bernardo, and Pedro Calhau, all friends of A Montanha, and the latter will exhibit in the gallery in March. Worth the trip.

[01/21/20]   Hoje, dia 21, entre as 17h e as 19h a exposição True Node - Parte I (Cauda) estará aberta, para quem quiser visitar!
A primeira parte deste ciclo f**a patente apenas até dia 4 Fev por marcação (910563779).
A Parte II (Cabeça) inaugura a 7 Fev.

A não perder no Artes (Edif. Mota Galiza - Rua Calouste Gulbenkian, Porto)

13/01/2020

Muito obrigado a quem veio na 6f à inauguração True Node - Parte I (Cauda) c/ Ana Morgadinho, João Pedro Trindade, Ana Rafael e David Correia Gonçalves. F**a patente até dia 4 FEV por marcação (910563779).

Dia 7 FEV inaugura a Parte II: "Cabeça" c/ Diogo Bolota, Rita Senra, Hugo Bernardo e Pedro Calhau.

14/12/2019
08/07/2019

Artes's cover photo

26/06/2019

A inaugurar também este Sábado as 15H, exposição "OMEGA" de Will Handley
no ARTES.

29JUN- 19JUL

Ver conta instagram, para mais detalhes.

Aberto todos os sábados das 15h-18h ou por marcação,
911824505
[email protected]
willhandley.net

26/06/2019

Artes's cover photo

18/06/2019

OLHAR O CHÃO

Amanhã, quarta-feira, é o último dia da #olharochão...termina aqui mas abre novas perspectivas ali. Bem-vindos! E não se esqueçam que têm de marcar porque a porta não está sempre aberta mas eu estou disponível para vos receber e partilhar esta desaceleração tão necessária no tempo em que vivemos.

16/06/2019

OLHAR O CHÃO

O Equador foi o primeiro país a constituir um tribunal para a defesa do ambiente:
APLICAÇÃO DOS DIREITOS DA NATUREZA NO EQUADOR
Rene Patricio Bedón RESUMO
A Constituição da República do Equador tem consagrado direitos a favor da natureza incluindo uma reserva constitucional para sua criação. Em tal virtude, tem-se apresentado várias ações de proteção e medidas cautelares constitucionais afim de fazer efetivos estes direitos e nas quais, fundamentalmente,para garantir o direito da natureza à conservação integral, determinou-se a suspensão de obras até que se obtenham as permissões ambientais correspondentes por parte do Estado para gerar impactos ambientais; aplicou-se oprincípioprecatório, suspendeu-se atividades por não existir evidência científ**a de dano; e, ponderou-se direitos para permitir a limitaçãodo direito à propriedade privada afim de que se realizem tarefas de remediação de um evento ambiental e se logre garantir o direito da natureza à restauração.
PALAVRAS CHAVE: ecocentrismo; conservação integral; restauração; precaução; ação de proteção.
#equador #deveresparacomanatureza #deveresparacomoambiente #deveresparacomoespaço #deveresparacomoshumanos #deveresparacomosnaohumanos #deveresparacomosmortos #deveresparacomosseresvivos #olharochão

14/06/2019

OLHAR O CHÃO

Amanhã já é o último sábado da existência do “olhar o chão”. Estamos no @aartes.porto das 14h às 18h e contamos convosco para uma imersão reflexiva e de diálogo.

12/06/2019

OLHAR O CHÃO

CHUQUICAMATA: A cidade que foi engolida por uma mina de cobre, no deserto do Atacama, Chile
conta-nos a seguinte história:
Quando os homens e as suas máquinas chegaram ao deserto, a única cidade próxima era Calama, algumas casas miseráveis ​​construídas no vazio parecido com uma estação de caminho de ferro. Uma mina exige um universo ao seu redor, um lugar para se lavarem e dormirem. Por causa disso, os Guggenheims tiveram que fornecer a infraestrutura e uma maneira de fazer as pessoas quererem viver no meio do deserto. As palavras por lei ditas poderiam ter sido estas: "Vai ter uma casa. Não vai pagar a água. Não vai pagar a eletricidade. Não vai pagar o gás. Nós vamos dar-lhe tudo: médico, atenção, educação para seus filhos, comida e entretenimento. Você virá trabalhar e receber o seu salário e, além disso, vai viver de graça '. Eles montaram um microcosmos do mundo exterior onde nada faltava. Avenidas largas e impecáveis ​​foram construídas. Um sistema de segurança foi instalado e uma comunidade foi erguida em torno de um vínculo comum: um emprego e uma vida depois daquele trabalho, em que todos participavam.
Mas a evolução de Chuquicamata foi incapaz de se adaptar às normas ambientais que surgiram. A fundição foi instalada e emitia dióxido de carbono e arsênico, vapores incompatíveis com a vida. A mina, além disso, começou a devorar o espaço ocupado pelo acampamento. Um quilograma de cobre exigia a extração de 100 quilos de rocha inútil que tinha que ir para algum lugar. Poderia ter sido em qualquer lugar: no deserto há um excesso de espaço. Mas em cada dia os camiões de mineração usam a mesma quantidade de combustível que um carro usa em dois anos. Este é um transporte muito caro para um monte de rochas e areia inutilizáveis. Eles começaram a deitar as pedras ao redor, na periferia de Chuquicamata, e encurralaram as casas. Pouco a pouco, isso transformou-se numa parede intransponível de lixo, que logo chegaria à cidade. Na prática, isso signif**ava enterrar a cidade ou construir outra. Mas as cidades não são peças de xadrez. Em algum ponto, em algum lugar, talvez sentados com um mapa, alguém disse "Senhores, temos que mudar esta cidade do ponto A para o ponto B, mas por onde começamos?"

11/06/2019

OLHAR O CHÃO

A “olhar o chão” também vemos meteoros.

#olharochão #meteoros #instalaçãovisualesonora

09/06/2019

OLHAR O CHÃO

Neste lugar, como em tantos outros no Chile, grupos de mineiros extraíram "caliche" do chão. Este nitrato alimentou duas das mais antigas atividades humanas: agricultura e guerra.
Voz e composição @Teresa Arêde
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At this place, like so many other in Chile,
groups of miners extracted "caliche" from
Ground. This nitrate nourished two oldest human activities:
agriculture and war.
Voice and composition @Teresa Arêde
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#olharochão #ground #chile #mining #atacama #ruin #instalaçãovisualesonora #artecontemporânea #agriculture #war

07/06/2019

OLHAR O CHÃO

Nesta pequena narrativa existe um personagem humano que, apesar de viver num meio contaminado, continua a evocar e a lamentar.

#olharochão #artecontemporânea #instalaçãovisualesonora

05/06/2019

OLHAR O CHÃO

Anos 50 - Piso da Mina de Algares.
Nesta época, utilizavam-se também mulas no trabalho mineiro, f**ando estas por tempo indeterminado no fundo da galeria. Os animais cegavam quando regressavam à superfície. Neste caso, as mulas trabalhavam a 170 metros de profundidade.

04/06/2019

OLHAR O CHÃO

O cavalo há três anos atrás, caído no chão, servia vários propósitos no eco sistema.

04/06/2019

Olhar o chão convida o espectador a imergir num lugar onde fragmentos de matérias físicas, sonoras e narrativas (anarquivo) se entrelaçam para questionar crítica e poeticamente a realidade extrativista.

11/05/2019

HOJE no ARTES

17h _ Apresentação da PUBLICAÇÃO
da exposição e do texto de Hugo Santos
+
CONVERSA com Nuno Ramalho
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ÚLTIMO DIA para VER
"AHO / Pós-Produção"
exposição de Nuno Ramalho
no ARTES
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"AHO / Pós-Produção"
exposição de Nuno Ramalho
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A partir das contribuições de André Andre Alves, Carolina Rito, Catarina Real, José Maia, Kyoung Kim, Renée Green e João Alves Marrucho
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Curadoria de José Maia
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Design e fotografia de José Filipe Alexandre
Texto de João Terras e Hugo Santos
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ARTES
HOJE, Sábado das 15h às 19h
Local / Morada:
Rua Julio Dinis s/n (Pavilhão s/ número), Centro Comercial Mota Galiza, 4050-175 Porto
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APOIOS: Galeria Graça Brandão, Café Candelabro
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AGRADECIMENTOS: Luísa Mota, Pedro Sousa Coutinho, Frederico Brĺzida, José Mário Brandão, Hugo Brito, Miguel Seabra
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EVENTO / CONVITE
https://www.facebook.com/events/394580311131138/
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Imagens da publicação/texto objecto de Hugo Santos
Design de José Filipe Alexandre
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11/05/2019

HOJE no ARTES

17h _ Apresentação da PUBLICAÇÃO
da exposição e do texto de Hugo Santos
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CONVERSA com Nuno Ramalho
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ÚLTIMO DIA para VER
"AHO / Pós-Produção"
exposição de Nuno Ramalho
no ARTES
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"AHO / Pós-Produção"
exposição de Nuno Ramalho
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A partir das contribuições de André Andre Alves, Carolina Rito, Catarina Real, José Maia, Kyoung Kim, Renée Green e João Alves Marrucho
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Curadoria de José Maia
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Design e fotografia de José Filipe Alexandre
Texto de João Terras e Hugo Santos
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ARTES
HOJE, Sábado das 15h às 19h
Local / Morada:
Rua Julio Dinis s/n (Pavilhão s/ número), Centro Comercial Mota Galiza, 4050-175 Porto
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APOIOS: Galeria Graça Brandão, Café Candelabro
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AGRADECIMENTOS: Luísa Mota, Pedro Sousa Coutinho, Frederico Brĺzida, José Mário Brandão, Hugo Brito, Miguel Seabra
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EVENTO / CONVITE
https://www.facebook.com/events/394580311131138/
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Imagens da publicação da exposição
Design de José Filipe Alexandre
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10/05/2019

AMANHÃ, SÁBADO, 11 Maio, 17h, no ARTES _ FINISSAGE
da exposição "AHO / Pós-Produção"
de Nuno Ramalho
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Lançamento da publicação de artista,
apresentação do texto de Hugo Santos
e conversa com o artista .
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"AHO / Pós-Produção"
de Nuno Ramalho
A partir das contribuições de André André Alves, Carolina Rito, Catarina Real, José Maia, Kyoung Kim, Renée Green e João Alves Marrucho
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Curadoria de José Maia
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Design e fotografia de José Filipe Alexandre
Texto de João Terras e Hugo Santos
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AHO / Pós-Produção é um projecto expositivo de Nuno Ramalho a partir das contribuições de André Alves, Carolina Rito, Catarina Real, José Maia, Kyoung Kim e Renée Green, também com a participação de João Alves Marrucho na execução de uma das obras. A exposição tem a curadoria de José Maia. Ensaio de João Terras. Design e documentação de José Filipe Alexandre. Os apoios são da galeria Graça Brandão e do Café Candelabro.

Esta exposição individual tem na sua génese a tese de doutoramento ‘Producing the Unproductive’, iniciada em 2011 no Goldsmiths College e que, depois de um período de interrupção, se encontra agora em fase de conclusão, na Faculdade de Belas Artes da Universidade do Porto.

A natureza prospectiva dessa investigação pretende explorar conceitos como o artista aprofissional, a desactividade artística, o improdutivo enquanto metodologia e outras zonas de contraste face ao actual panorama artístico, maioritariamente comprometido com lógicas de hiperprodução e valorização.

O principal dispositivo desta exposição é a memória: menos enquanto simples mecanismo de recuperação ou evocação, mais como possibilidade de reconfiguração e mesmo desmantelamento dos materiais artísticos evocados.

Para esse efeito, foram convidados cinco autores, todos eles determinantes ao longo do processo de doutoramento, e com percursos ligados à produção e pensamento em torno da arte: André Alves (artista, investigador), Carolina Rito (curadora, investigadora), Catarina Real (artista), José Maia (artista, curador, professor), Kyoung Kim (artista) e Renée Green (artista, ensaísta, professora).

A estes convidados, foram pedidos alguns registos básicos que eles relacionassem com o rememorar de obras por mim concretizadas e apresentadas, entre 2011 e 2018. Partindo da exploração desses materiais, são agora produzidos e apresentados novos trabalhos.

Uma das âncoras desta nova produção é cruzar os elementos recolhidos junto dos convidados com dois outros projectos, também eles pensados no âmbito da investigação em torno do improdutivo, mas que nunca foram concretizados.

O primeiro desses projectos visava a realização de uma sessão de espiritismo, onde se procuraria resgatar a memória da convalescença do banqueiro António Horta Osório (AHO), figura de excelência no panteão da produtividade e absolutismo do trabalho que define as sociedades contemporâneas – e, paradoxalmente, ele próprio vítima de burn-out.

Num segundo projecto, os dados recolhidos na sessão de espiritismo seriam tratados e posteriormente enviados para uma chamada ‘art village’ - locais onde a principal actividade económica é centrada em variadas formas de produção artística - na República Popular da China, de modo a serem trabalhados enquanto conceitos artísticos.

Os trabalhos que se irão apresentar em AHO/Pós-Produção resultam pois do cruzamento destes dois vectores - por um lado, a utilização, enquanto material, das memórias recolhidas junto dos autores convidados, associadas a uma produção efectivamente desenvolvida no passado recente; por outro, interceptando essas memórias com outros fantasmas, nomeadamente os dois projectos que não foram concretizados no âmbito do doutoramento.

Na primeira sala, em jeito de introdução, revisita-se uma obra de 2010, também ela resultante de uma colaboração, que foi pensada e produzida para uma exposição realizada em Londres e que nunca foi mostrada em Portugal. Trata-se de uma obra que funciona como preâmbulo às novas produções.

No mesmo espaço, apresenta-se uma intervenção site-specific criada a partir de medicamentos anti-depressivos, ansiolíticos e similares.

Nesta sala será ainda apresentada uma cópia manuscrita e com algumas anotações do guião do filme “The Shining”, de Stanley Kubrick.

Numa segunda sala, estará ligado um difusor de aromas, que irá espalhar pelo espaço cheiros alusivos a supostos rituais esotéricos e de feitiçaria.

Finalmente, na última sala, poderá ser vista uma vídeo-instalação que recupera o imaterial, o atmosférico e um certo carácter sobrenatural que atravessam as diversas obras desta exposição.
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"ansiolíticos, antidepressivos, design, magia branca (ou será negra?), o guião de um filme, um pedaço de uma música dos arab strap e fumos variados são peças do puzzle que se compõe na exposição 'AHO/Pós-produção'. pode ser visitada entre as 15h e as 19h de amanhã, sábado, no artes, que f**a a meio do caminho entre a praça da galiza e o palácio de cristal. o aperitivo é o brilhante texto que o João Terras escreveu (sem as notas de rodapé, que se perderam na viagem), e uma das imagens que o José Filipe Alexandre tão bem soube recolher. "
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Premonição ou a Cura de um Jack

All work and no play makes Jack a dull boy
(Todo o trabalho e nenhuma brincadeira fazem de Jack um menino chato) (1)
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A certeza da loucura, do desespero e da impotência, é confirmada por Wendy, quando repara que o Romance do marido, se tinha transformado numa única e singular frase repetida num corpo visual amorfo: All work and no play makes Jack a dull boy.

Depois. Sabemos.

Passar um inverno inteiro, num hotel fechado, isolado pela neve, seria, no caso de Jack, em primeiro, uma posição de trabalho. Eis a missão. No sentido duplo. Aceitar um trabalho — na mera equação de manter seguro e em manutenção o espaço de um Hotel encerrado — para com isso, assegurar a previsão de total isolamento e negação. Um tempo para.
Em tese — o recolher, como silêncio — o só, como estímulo criativo — o isolamento, como prospecção dessa possibilidade.
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— Existe aqui alguma coisa má?
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— Bem, vais notar que quando alguma coisa de errado acontece, deixa um rasto.
É como o cheiro a pão queimado. Talvez coisas que aconteceram deixem outro rasto atrás de si.

O projeto de escrita que não se consumava e o drama que se ativou na loucura. Rapidamente perceberemos que a coisa má no núcleo da narrativa da obra de Stanley Kubrick em The Shining (1980), não seria o universo paralelo que a memória do caos depreciativo do lugar de Overlook parecia emergir. Percebemos logo no início da história que o horror psicológico e todas as suas derivas insurgem da anamnese das disfunções do Homem diante das limitações e impotência que caracterizam a sua natureza. Disfunção essa, diante da qual quase sempre nos abstrairmos para admitirmos o delírio como uma coisa fantasmática.

Talvez Jack, já antes soubesse, mesmo que silenciosamente, que a solução não estaria, certamente, no refúgio que a escrita lhe prometia. A pressão, o peso e a desistência de um trabalho como professor, sub carregado até à descrença do seu valor, impuseram-lhe a antiga premissa do recomeçar, do acalmar, do isolamento como resiliência. Foi no silêncio de Overlook que Jack sem que se apercebesse viria assistir ao Burn out que já se delineava há muitos invernos atrás.

A profusão do romance na verdade não necessitava de mais conteúdo. A única frase, do golpe do jogo antagônico que o escritor ansiava, era já o melhor dos romances possíveis. All work and no play makes Jack a dull boy (2) — a pressão e a tensão do passado, do presente e do futuro, não só lhe retiravam qualquer ponte de criação como lhe definhavam um caráter apoteótico, muito mais do que simplesmente chato. Jack.

Talvez não encontremos nesta apresentação sumária que Nuno Ramalho agora apresenta, de modo plasmado, uma referência direta ao filme correspondente, muito embora essa seja, por circunstâncias diretas e indiretas, a ponta de uma longa meada a que este projeto diz respeito. Que assim seja Jack, aquele Jack, da personagem ao ator, de nós mesmos ao outro, um qualquer Jack, esse ser Jack como um vetor múltiplo do espelho da natureza humana.

REDRUM

Por outro lado, a sigla titular deste momento expositivo postula, por deriva, o cume oposto da meada. Primeira e última referência, assumas num corpo em pausa que aparenta unir as pontas. AHO - são as iniciais de António Horta Osório, director executivo de uma das maiores instituições bancárias — o Lloyds Bank, Londres — e um dos mais reconhecidos top-performer deste segmento. Pouco tempo depois de entrar em gestão, Horta Osório definhava o seu corpo na tensão e pressão do seu núcleo de trabalho, levando-o a um profundo processo de tratamento sobre um esgotamento nervoso algures numa clínica especializada. O recobro de um comprometido top-performer assinalava à altura não somente uma problemática instaurada em torno das questões de saúde mental, como revelava os princípios insalubres de foco, comprometimento e resiliência relacionados com a produção e desenvolvimento capitais dos colaboradores.
A especulação sobre o período preciso de convalescência e negação deste top-performer determinar-se-ia como uma espécie de ponto de fuga ao qual Nuno Ramalho continuamente recorreria.

Como uma ponte também ela geopolítica entre o estado de gestão de Londres — cidade onde vivia na altura o artista — e o mundo, a presença por vezes antagônica desta figura projecta-se como premonição de um estado de alerta e firma-se como um retrato de grupo.
AHO, uma meta errática de um princípio basilar. AHO ou a cura de um Jack, esse outro, esse qualquer.

BURN-OUT

Este novo corpo expositivo apresentado agora no ARTES, AHO - Pós Produção, matiza-se como espaço de revisitação e estação situacional de um extenso projecto de investigação, apresentação e partilha — refira-se os contributos de um núcleo forte: André Alves (artista, investigador); Carolina Rito (curadora, investigadora); Catarina Real (artista); José Maia (artista, curador, pedagogo); Kyoung Kim (artista) e Renée Green (artista, ensaísta, professora) — que Nuno Ramalho tem fomentado na tese de Doutoramento desenvolvida desde de 2011.

Por trás da exposição — e a terminar o curso do processo — avoluma-se uma prática que orienta o foco sobre a intenção de eximir-se ao lugar normativo da produção, evolução e desenvolvimento. Producing the Unproductive e em parte também o seu verso, da improdutividade para a produção.
Nestes termos, as missivas do modo de criar do artista instalam-se num pólo de reflexão agregador que discorre sobre múltiplas diretrizes consubstanciadas: dos comportamentos e modos do ser-artista, a sua posição no núcleo de forças dentro de uma prática de trabalho normativa, o olhar anverso à sistémica posição do fazer e do não-fazer artísticos, do padrão estabelecido entre a produção e o mercado da arte até a indagação diante dos enlaces de controlo disciplinar e de poder orientados em metas econométricas e capitalistas.

Neste novo momento de apresentação, sobre o peso sintético que lhe possa caber, Nuno Ramalho, no núcleo de outros meios a que se dispõem, retoma o lugar do desenho devolvendo-lhe a sua dimensão expandida, no espaço das intercepções que este possa tomar com outros modos de operar. Um desenho que se toma do objeto, da matéria, que se dessacraliza do suporte, que se corporiza em assumo do espaço. Em todo as derivas e extensões que este possa ter, o desenho continua a ser a forma mais linear e sintética de apropriar o dizer que o artista pode tomar.

I. Não recorrendo à unidade conta — a moeda — a que tantas vezes se socorreu, Ramalho instala na sala maior um desenho situacional apropriando-se de um novo recurso. Composto por ansiolíticos, antidepressivos e outros fármacos o artista traça uma alusão aos intentos das tensões depreciativas e corretivas características do estado das sociedades contemporâneas. Estas pequenas partículas — a par da forma que compõem no desenho em conjunto — enquanto meios de correção, controlo e orientação, são aqui colocados sobre a tensão de reversão dos seus princípios instaladores. Curar, tornar ativo, normalizar, normatizar.

II. Em contrabalanço com os enlaces do Desenho e recorrendo a uma peça que dista deste novo momento de apresentação, Ramalho recorre a um trabalho apenas apresentado em Londres para delinear outra premissa substancialmente importante na sua linha de pensamento: o artista enquanto produtor e as suas posições no quadro social. Em dois mupis/cartazes onde podemos ler em destaque cromático os termos - “new work” e “coming soon”, Ramalho reitera a força que a palavra também assume na sua obra, para como ela expor as diretriz predominantes do novo e do por vir que subestimam o ritmo de produção e apresentação em relação ao estabelecer do lugar do artista.

Em polarização com a primeira grande sala, aquela que nos recebe, o ambiente dos dois espaços seguintes promove um outro ritmo.

III. Primeiro, recorrendo ao vazio visual e espacial, o artista instala um pequeno difusor que vai pulverizando o lugar, ambientando o espaço numa aparente acalmia, dissimulando o observador da intencionalidade de ver algo. Muitas serão certamente as derivações e diálogos de referência assinaláveis que a partir do cheiro e da fragrância poderíamos sugerir. Em todo o caso, o sentir retoma a premissa anteriormente instaurada, e o conforto premeditado segue o contraste do debate anteriormente levantado.

IV. Na última sala, uma instalação de som e imagem, definem a suspensão do percurso. O fumo parece emergir um terceiro estado da matéria - o gasoso, a combustão - premeditando uma cisão entre aquilo que será o lugar da forma e da existência, para aceder ao homólogo lugar da transição e da fuga, da efemeridade e do desaparecimento. Em todo o caso podemos precisar a sua presença, aquela nuvem de fumo existe ali, entre nós e a imagem, assinala a presença do eu, remete-nos para esse lugar do oculto. Gradativamente, é nos permitido a pausa, o silêncio, de novo a negação, de novo o eu.

Importa assim dizer, que esta apresentação se define como um ambiente simbiótico, estabelecido pela criação — mais uma vez no caso de Ramalho — de um lugar árido mas não menos estéril às intenções da sua reflexão. Um aglutinar das partes que convoca antes mais o sentir que outra precisão. Apresentada numa cenografia trifásica — composta assim por dois “desenhos”, uma instalação e uma projecção de vídeo e som — as energias geram-se, transmitem-se e distribuem-se em concomitância das partes.

Por fim, chamar-lhe-emos sim, uma obra ou um percurso de premonição. Como uma sensação ou advertência daquilo que porventura poderá acontecer. Da mesma forma que se torna numa obra ou num percurso que assimila a consciência daquilo que já aconteceu. Será assim uma espécie de consciência de e alerta para. E vejamos que o sentido de premonição assentará sempre no prólogo da matriz da memória.

E mesmo que saibamos do out of control em que assimilamos, o brilho (Shining) da luz que nos parece orientar será sempre aquele que nos permitiu a liberdade mas também o mesmo que inventou a disciplina. (3)

Notas
(1) “all work and no play makes Jack a dull boy”, é um provérbio inglês com origem inexata. O primeiro registo da expressão escrita remonta ao século XV nos trabalhos do escritor James Howell, sendo posteriormente apropriada em diversos casos, da literatura ao cinema, como é o caso do seu aparecimento na obra de Stephen King - The Shining (1977) passada mais tarde por Stanley Kubrick para o cinema (1980).

(2) Tradução direta para Português de uma cena retirada do filme The Shining (1980),onde as personagens Danny e Hallorann conversam na cozinha do Hotel Overlook.

(3) Michael Foucault em Vigiar e Punir pág. 180, Editora Vozes, 1998

João Terras, Abril 2019

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ARTES
Direcção artística e programação do ARTES: Luísa Luisa Mota
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HORÁRIO
Patente até 11 Maio de 2019,
por marcação 933288141,
aberto todos os sábado das 15h às 19h
e visitável (parcialmente) do exterior das 7h à 1h
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MORADA
Local / Morada: Rua Julio Dinis s/n (Pavilhão s/ número), Centro Comercial Mota Galiza, 4050-175 Porto
email: [email protected]
Facebook: Artes
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APOIOS: Galeria Graça Brandão, Café Candelabro
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AGRADECIMENTOS: Pedro Sousa Coutinho, Frederico Brĺzida, José Mário Brandão, Hugo Brito, Miguel Seabra11 Maio, 17h, no ARTES _ FINISSAGE
da exposição "AHO / Pós-Produção"
de Nuno Ramalho
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Lançamento da publicação de artista,
apresentação do texto de Hugo Santos
e conversa com o artista .
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"AHO / Pós-Produção"
de Nuno Ramalho
A partir das contribuições de André André Alves, Carolina Rito, Catarina Real, José Maia, Kyoung Kim, Renée Green e João Alves Marrucho
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Curadoria de José Maia
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Design e fotografia de José Filipe Alexandre
Texto de João Terras e Hugo Santos
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AHO / Pós-Produção é um projecto expositivo de Nuno Ramalho a partir das contribuições de André Alves, Carolina Rito, Catarina Real, José Maia, Kyoung Kim e Renée Green, também com a participação de João Alves Marrucho na execução de uma das obras. A exposição tem a curadoria de José Maia. Ensaio de João Terras. Design e documentação de José Filipe Alexandre. Os apoios são da galeria Graça Brandão e do Café Candelabro.

Esta exposição individual tem na sua génese a tese de doutoramento ‘Producing the Unproductive’, iniciada em 2011 no Goldsmiths College e que, depois de um período de interrupção, se encontra agora em fase de conclusão, na Faculdade de Belas Artes da Universidade do Porto.

A natureza prospectiva dessa investigação pretende explorar conceitos como o artista aprofissional, a desactividade artística, o improdutivo enquanto metodologia e outras zonas de contraste face ao actual panorama artístico, maioritariamente comprometido com lógicas de hiperprodução e valorização.

O principal dispositivo desta exposição é a memória: menos enquanto simples mecanismo de recuperação ou evocação, mais como possibilidade de reconfiguração e mesmo desmantelamento dos materiais artísticos evocados.

Para esse efeito, foram convidados cinco autores, todos eles determinantes ao longo do processo de doutoramento, e com percursos ligados à produção e pensamento em torno da arte: André Alves (artista, investigador), Carolina Rito (curadora, investigadora), Catarina Real (artista), José Maia (artista, curador, professor), Kyoung Kim (artista) e Renée Green (artista, ensaísta, professora).

A estes convidados, foram pedidos alguns registos básicos que eles relacionassem com o rememorar de obras por mim concretizadas e apresentadas, entre 2011 e 2018. Partindo da exploração desses materiais, são agora produzidos e apresentados novos trabalhos.

Uma das âncoras desta nova produção é cruzar os elementos recolhidos junto dos convidados com dois outros projectos, também eles pensados no âmbito da investigação em torno do improdutivo, mas que nunca foram concretizados.

O primeiro desses projectos visava a realização de uma sessão de espiritismo, onde se procuraria resgatar a memória da convalescença do banqueiro António Horta Osório (AHO), figura de excelência no panteão da produtividade e absolutismo do trabalho que define as sociedades contemporâneas – e, paradoxalmente, ele próprio vítima de burn-out.

Num segundo projecto, os dados recolhidos na sessão de espiritismo seriam tratados e posteriormente enviados para uma chamada ‘art village’ - locais onde a principal actividade económica é centrada em variadas formas de produção artística - na República Popular da China, de modo a serem trabalhados enquanto conceitos artísticos.

Os trabalhos que se irão apresentar em AHO/Pós-Produção resultam pois do cruzamento destes dois vectores - por um lado, a utilização, enquanto material, das memórias recolhidas junto dos autores convidados, associadas a uma produção efectivamente desenvolvida no passado recente; por outro, interceptando essas memórias com outros fantasmas, nomeadamente os dois projectos que não foram concretizados no âmbito do doutoramento.

Na primeira sala, em jeito de introdução, revisita-se uma obra de 2010, também ela resultante de uma colaboração, que foi pensada e produzida para uma exposição realizada em Londres e que nunca foi mostrada em Portugal. Trata-se de uma obra que funciona como preâmbulo às novas produções.

No mesmo espaço, apresenta-se uma intervenção site-specific criada a partir de medicamentos anti-depressivos, ansiolíticos e similares.

Nesta sala será ainda apresentada uma cópia manuscrita e com algumas anotações do guião do filme “The Shining”, de Stanley Kubrick.

Numa segunda sala, estará ligado um difusor de aromas, que irá espalhar pelo espaço cheiros alusivos a supostos rituais esotéricos e de feitiçaria.

Finalmente, na última sala, poderá ser vista uma vídeo-instalação que recupera o imaterial, o atmosférico e um certo carácter sobrenatural que atravessam as diversas obras desta exposição.
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"ansiolíticos, antidepressivos, design, magia branca (ou será negra?), o guião de um filme, um pedaço de uma música dos arab strap e fumos variados são peças do puzzle que se compõe na exposição 'AHO/Pós-produção'. pode ser visitada entre as 15h e as 19h de amanhã, sábado, no artes, que f**a a meio do caminho entre a praça da galiza e o palácio de cristal. o aperitivo é o brilhante texto que o João Terras escreveu (sem as notas de rodapé, que se perderam na viagem), e uma das imagens que o José Filipe Alexandre tão bem soube recolher. "
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Premonição ou a Cura de um Jack

All work and no play makes Jack a dull boy
(Todo o trabalho e nenhuma brincadeira fazem de Jack um menino chato) (1)
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A certeza da loucura, do desespero e da impotência, é confirmada por Wendy, quando repara que o Romance do marido, se tinha transformado numa única e singular frase repetida num corpo visual amorfo: All work and no play makes Jack a dull boy.

Depois. Sabemos.

Passar um inverno inteiro, num hotel fechado, isolado pela neve, seria, no caso de Jack, em primeiro, uma posição de trabalho. Eis a missão. No sentido duplo. Aceitar um trabalho — na mera equação de manter seguro e em manutenção o espaço de um Hotel encerrado — para com isso, assegurar a previsão de total isolamento e negação. Um tempo para.
Em tese — o recolher, como silêncio — o só, como estímulo criativo — o isolamento, como prospecção dessa possibilidade.
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— Existe aqui alguma coisa má?
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— Bem, vais notar que quando alguma coisa de errado acontece, deixa um rasto.
É como o cheiro a pão queimado. Talvez coisas que aconteceram deixem outro rasto atrás de si.

O projeto de escrita que não se consumava e o drama que se ativou na loucura. Rapidamente perceberemos que a coisa má no núcleo da narrativa da obra de Stanley Kubrick em The Shining (1980), não seria o universo paralelo que a memória do caos depreciativo do lugar de Overlook parecia emergir. Percebemos logo no início da história que o horror psicológico e todas as suas derivas insurgem da anamnese das disfunções do Homem diante das limitações e impotência que caracterizam a sua natureza. Disfunção essa, diante da qual quase sempre nos abstrairmos para admitirmos o delírio como uma coisa fantasmática.

Talvez Jack, já antes soubesse, mesmo que silenciosamente, que a solução não estaria, certamente, no refúgio que a escrita lhe prometia. A pressão, o peso e a desistência de um trabalho como professor, sub carregado até à descrença do seu valor, impuseram-lhe a antiga premissa do recomeçar, do acalmar, do isolamento como resiliência. Foi no silêncio de Overlook que Jack sem que se apercebesse viria assistir ao Burn out que já se delineava há muitos invernos atrás.

A profusão do romance na verdade não necessitava de mais conteúdo. A única frase, do golpe do jogo antagônico que o escritor ansiava, era já o melhor dos romances possíveis. All work and no play makes Jack a dull boy (2) — a pressão e a tensão do passado, do presente e do futuro, não só lhe retiravam qualquer ponte de criação como lhe definhavam um caráter apoteótico, muito mais do que simplesmente chato. Jack.

Talvez não encontremos nesta apresentação sumária que Nuno Ramalho agora apresenta, de modo plasmado, uma referência direta ao filme correspondente, muito embora essa seja, por circunstâncias diretas e indiretas, a ponta de uma longa meada a que este projeto diz respeito. Que assim seja Jack, aquele Jack, da personagem ao ator, de nós mesmos ao outro, um qualquer Jack, esse ser Jack como um vetor múltiplo do espelho da natureza humana.

REDRUM

Por outro lado, a sigla titular deste momento expositivo postula, por deriva, o cume oposto da meada. Primeira e última referência, assumas num corpo em pausa que aparenta unir as pontas. AHO - são as iniciais de António Horta Osório, director executivo de uma das maiores instituições bancárias — o Lloyds Bank, Londres — e um dos mais reconhecidos top-performer deste segmento. Pouco tempo depois de entrar em gestão, Horta Osório definhava o seu corpo na tensão e pressão do seu núcleo de trabalho, levando-o a um profundo processo de tratamento sobre um esgotamento nervoso algures numa clínica especializada. O recobro de um comprometido top-performer assinalava à altura não somente uma problemática instaurada em torno das questões de saúde mental, como revelava os princípios insalubres de foco, comprometimento e resiliência relacionados com a produção e desenvolvimento capitais dos colaboradores.
A especulação sobre o período preciso de convalescência e negação deste top-performer determinar-se-ia como uma espécie de ponto de fuga ao qual Nuno Ramalho continuamente recorreria.

Como uma ponte também ela geopolítica entre o estado de gestão de Londres — cidade onde vivia na altura o artista — e o mundo, a presença por vezes antagônica desta figura projecta-se como premonição de um estado de alerta e firma-se como um retrato de grupo.
AHO, uma meta errática de um princípio basilar. AHO ou a cura de um Jack, esse outro, esse qualquer.

BURN-OUT

Este novo corpo expositivo apresentado agora no ARTES, AHO - Pós Produção, matiza-se como espaço de revisitação e estação situacional de um extenso projecto de investigação, apresentação e partilha — refira-se os contributos de um núcleo forte: André Alves (artista, investigador); Carolina Rito (curadora, investigadora); Catarina Real (artista); José Maia (artista, curador, pedagogo); Kyoung Kim (artista) e Renée Green (artista, ensaísta, professora) — que Nuno Ramalho tem fomentado na tese de Doutoramento desenvolvida desde de 2011.

Por trás da exposição — e a terminar o curso do processo — avoluma-se uma prática que orienta o foco sobre a intenção de eximir-se ao lugar normativo da produção, evolução e desenvolvimento. Producing the Unproductive e em parte também o seu verso, da improdutividade para a produção.
Nestes termos, as missivas do modo de criar do artista instalam-se num pólo de reflexão agregador que discorre sobre múltiplas diretrizes consubstanciadas: dos comportamentos e modos do ser-artista, a sua posição no núcleo de forças dentro de uma prática de trabalho normativa, o olhar anverso à sistémica posição do fazer e do não-fazer artísticos, do padrão estabelecido entre a produção e o mercado da arte até a indagação diante dos enlaces de controlo disciplinar e de poder orientados em metas econométricas e capitalistas.

Neste novo momento de apresentação, sobre o peso sintético que lhe possa caber, Nuno Ramalho, no núcleo de outros meios a que se dispõem, retoma o lugar do desenho devolvendo-lhe a sua dimensão expandida, no espaço das intercepções que este possa tomar com outros modos de operar. Um desenho que se toma do objeto, da matéria, que se dessacraliza do suporte, que se corporiza em assumo do espaço. Em todo as derivas e extensões que este possa ter, o desenho continua a ser a forma mais linear e sintética de apropriar o dizer que o artista pode tomar.

I. Não recorrendo à unidade conta — a moeda — a que tantas vezes se socorreu, Ramalho instala na sala maior um desenho situacional apropriando-se de um novo recurso. Composto por ansiolíticos, antidepressivos e outros fármacos o artista traça uma alusão aos intentos das tensões depreciativas e corretivas características do estado das sociedades contemporâneas. Estas pequenas partículas — a par da forma que compõem no desenho em conjunto — enquanto meios de correção, controlo e orientação, são aqui colocados sobre a tensão de reversão dos seus princípios instaladores. Curar, tornar ativo, normalizar, normatizar.

II. Em contrabalanço com os enlaces do Desenho e recorrendo a uma peça que dista deste novo momento de apresentação, Ramalho recorre a um trabalho apenas apresentado em Londres para delinear outra premissa substancialmente importante na sua linha de pensamento: o artista enquanto produtor e as suas posições no quadro social. Em dois mupis/cartazes onde podemos ler em destaque cromático os termos - “new work” e “coming soon”, Ramalho reitera a força que a palavra também assume na sua obra, para como ela expor as diretriz predominantes do novo e do por vir que subestimam o ritmo de produção e apresentação em relação ao estabelecer do lugar do artista.

Em polarização com a primeira grande sala, aquela que nos recebe, o ambiente dos dois espaços seguintes promove um outro ritmo.

III. Primeiro, recorrendo ao vazio visual e espacial, o artista instala um pequeno difusor que vai pulverizando o lugar, ambientando o espaço numa aparente acalmia, dissimulando o observador da intencionalidade de ver algo. Muitas serão certamente as derivações e diálogos de referência assinaláveis que a partir do cheiro e da fragrância poderíamos sugerir. Em todo o caso, o sentir retoma a premissa anteriormente instaurada, e o conforto premeditado segue o contraste do debate anteriormente levantado.

IV. Na última sala, uma instalação de som e imagem, definem a suspensão do percurso. O fumo parece emergir um terceiro estado da matéria - o gasoso, a combustão - premeditando uma cisão entre aquilo que será o lugar da forma e da existência, para aceder ao homólogo lugar da transição e da fuga, da efemeridade e do desaparecimento. Em todo o caso podemos precisar a sua presença, aquela nuvem de fumo existe ali, entre nós e a imagem, assinala a presença do eu, remete-nos para esse lugar do oculto. Gradativamente, é nos permitido a pausa, o silêncio, de novo a negação, de novo o eu.

Importa assim dizer, que esta apresentação se define como um ambiente simbiótico, estabelecido pela criação — mais uma vez no caso de Ramalho — de um lugar árido mas não menos estéril às intenções da sua reflexão. Um aglutinar das partes que convoca antes mais o sentir que outra precisão. Apresentada numa cenografia trifásica — composta assim por dois “desenhos”, uma instalação e uma projecção de vídeo e som — as energias geram-se, transmitem-se e distribuem-se em concomitância das partes.

Por fim, chamar-lhe-emos sim, uma obra ou um percurso de premonição. Como uma sensação ou advertência daquilo que porventura poderá acontecer. Da mesma forma que se torna numa obra ou num percurso que assimila a consciência daquilo que já aconteceu. Será assim uma espécie de consciência de e alerta para. E vejamos que o sentido de premonição assentará sempre no prólogo da matriz da memória.

E mesmo que saibamos do out of control em que assimilamos, o brilho (Shining) da luz que nos parece orientar será sempre aquele que nos permitiu a liberdade mas também o mesmo que inventou a disciplina. (3)

Notas
(1) “all work and no play makes Jack a dull boy”, é um provérbio inglês com origem inexata. O primeiro registo da expressão escrita remonta ao século XV nos trabalhos do escritor James Howell, sendo posteriormente apropriada em diversos casos, da literatura ao cinema, como é o caso do seu aparecimento na obra de Stephen King - The Shining (1977) passada mais tarde por Stanley Kubrick para o cinema (1980).

(2) Tradução direta para Português de uma cena retirada do filme The Shining (1980),onde as personagens Danny e Hallorann conversam na cozinha do Hotel Overlook.

(3) Michael Foucault em Vigiar e Punir pág. 180, Editora Vozes, 1998

João Terras, Abril 2019

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ARTES
Direcção artística e programação do ARTES: Luísa Luisa Mota
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Patente até 11 Maio de 2019,
por marcação 933288141,
aberto todos os sábado das 15h às 19h
e visitável (parcialmente) do exterior das 7h à 1h
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