Jonathas dos Anjos Psicanalista
Psicanalista/Supervisor
Professor de Psicanálise no @ceteppsicanalise
Atendimento On Line e Presencial
Av. Andrade Neves, 2025
No luto, é o mundo que se torna pobre e vazio; na melancolia, é o próprio eu.” Freud, Luto e Melancolia (1915)
No luto a realidade anuncia a perda, e o sujeito aos poucos vai desligando seu afeto daquilo que se foi. Dói, leva tempo mas caminha
Ao final o eu f**a livre para amar de novo.
Na melancolia a perda é mais enigmática, sabe-se quem se perdeu, mas não o que se perdeu nesse alguém.
A dor se volta contra o próprio sujeito, em forma de culpa e autocrítica feroz.
Como diz Freud, a sombra do objeto caiu sobre o eu
No luto, choramos o que se foi.
Na melancolia, nos confundimos com o que se foi.
E você, o que ainda não conseguiu deixar ir?
Atendimentos: link na bio.
Do Story pro feed
Ferenczi sonhou com um bebê que falava como adulto, dava conselhos sábios e parecia dar conta de tudo. Chamou esse sonho de “bebê sábio”.
E entendeu que aquilo não era genialidade. Era o que sobra quando uma criança precisa amadurecer às pressas para sustentar um ambiente que não a sustenta.
Cem anos depois, a gente acorda às 6h e faz a mesma coisa.
Responde mensagem dirigindo.
Emenda reunião com almoço.
Diz que está tudo bem quando perguntam.
Aceita mais uma demanda porque recusar parece fraqueza.
Chega em casa sem energia nem para escolher o que assistir, e ainda assim abre o celular para “produzir” mais um pouco.
E quando o corpo avisa, a gente desmente. “Não é cansaço, é só uma fase.” “Todo mundo está assim.” “Depois eu descanso.”
Quando o que você sente é negado pelo ambiente, você para de confiar no que sente e o cansaço não desaparece, ele só perde o direito de existir em voz alta.
Aí a gente vira aquilo que o mundo aplaude.
Sempre disposto.
Sempre resolvendo.
Sempre sábio.
Um fruto que amadureceu rápido demais e não sabe mais como é ter a possibilidade de esperar seu TEMPO de expandir.
Mas ninguém é infinito e fingir que é não é força, é um modo de sobreviver que cobra caro depois.
Sustentar o que o ambiente exige, exige de nós a sabedoria que é suportada pelo corpo que diz: NÃO PARE!
03/09/2026
A injustiça não produz apenas revolta; ela também produz sofrimento.
Quando aqueles que ocupam lugares de poder parecem distantes da realidade de quem sofre, se instala algo ainda mais profundo, o sentimento de desamparo.
A psicanálise nos ensina que ser ferido ou sentir-se abandonado por quem deveria proteger pode ser uma das experiências mais dolorosas.
Diante de tantas desigualdades, não é apenas a falta de justiça que angustia, mas a sensação de que o sofrimento de muitos pode se tornar invisível para aqueles que deveriam escutá-lo.
E essa reflexão não pertence à esquerda ou à direita.
O sofrimento humano não deveria ser reduzido a disputas ideológicas.
Todo poder, independentemente de quem o exerça, precisa ser constantemente interrogado sobre aquilo que produz na vida daqueles que deveria servir.
Porque uma sociedade adoece quando aprende a conviver em silêncio com o sofrimento dos seus.
02/09/2026
A psicanálise te leva a parar de perguntar apenas por que o caminho é sempre o mesmo e te faz pensar:
“Que parte de mim continua me trazendo até aqui?”
Muitas vezes não é o destino que se repete, é aquilo que em você ainda não encontrou outra forma de existir
Quando interpretar deixa de ser escutar?
Na psicanálise interpretação não é dizer ao paciente o que ele sente, pensa ou deseja.
Essa diferença parece sutil mas é fundamental.
O sugestionamento parte de uma posição em que o analista oferece um sentido pronto
“Você age assim porque tem medo de ser abandonado.”
Já a interpretação não deveria funcionar como uma sentença sobre o sujeito
Ela procura fazer aparecer algo que até então permanecia encoberto no próprio discurso, nos atos, nos silêncios e nas repetições.
A interpretação abre uma possibilidade de escuta.
Quando o analista diz ao paciente quem ele é, corre o risco de substituir o inconsciente pela própria teoria e fazer com que o paciente passe a confirmar aquilo que o analista lhe disse.
Interpretar portanto não é demonstrar que o analista entendeu
É criar uma intervenção capaz de produzir uma pergunta onde antes havia apenas uma certeza.
O sugestionamento fecha o sentido.
A interpretação desloca o sentido.
Uma das maiores responsabilidades do analista é justamente saber quando falar, quando não ocupar com sua própria certeza o lugar daquilo que ainda precisa ser descoberto pelo sujeito
Certa vez alguém chega dizendo:
“Eu só queria que ele me desse mais atenção.”
Parecia um pedido simples
Ela queria mensagens, presença, demonstrações de carinho,
Queria que o outro estivesse mais perto.
Mas quando começamos a escutar o que existia por trás daquele pedido, uma outra pergunta apareceu
“Por que eu preciso tanto que ele demonstre que eu sou importante?”
E então a questão deixou de ser sobre mensagens.
Porque uma coisa é a necessidade; precisamos de cuidado, proteção, alimento, descanso.
Outra coisa é a demanda; aquilo que pedimos ao outro “me escute”, “fique comigo”, “me dê atenção”, “não vá embora”
O desejo nem sempre aparece claramente naquilo que pedimos.
Às vezes pedimos atenção quando queremos reconhecimento.
Pedimos amor quando buscamos a garantia de que somos escolhidos
Pedimos que alguém fique quando, na verdade, estamos tentando não reencontrar uma antiga experiência de abandono.
É por isso que a psicanálise não se interessa apenas pelo conteúdo do pedido, mas se interessa pelo que insiste por trás dele.
A pergunta mais importante não seja:
O que você quer? Mas o que você espera encontrar no outro quando consegue aquilo que quer?
Ai que o desejo começa a falar.
Então começamos a descobrir que muitas vezes pedimos uma coisa ao outro enquanto desejamos outra completamente diferente sem saber
Porque entre aquilo de que precisamos e aquilo que pedimos, existe uma dimensão que nem sempre conhecemos; o DESEJO.
E talvez uma das maiores descobertas de uma análise seja justamente essa; nem sempre aquilo que dizemos querer é aquilo que inconscientemente estamos desejando.
A fala pede
A necessidade exige
A demanda, o desejo INSISTE!
20/08/2026
O problema não é sentir angústia, mas tudo aquilo que fazemos para não senti-la.
A angústia nos desorganiza porque por alguns instantes, aquilo que sustentava nossas certezas perde a força e as respostas já não bastam
As distrações já não silenciam e o mundo continua existindo, mas já não conseguimos habitá-lo da mesma maneira.
Aí então somos colocados diante de nós mesmos.
Sem as máscaras que funcionam tão bem no cotidiano.
Sem a necessidade de parecer bem.
Sem a promessa de que temos tudo sob controle.
É nesse sentido que Heidegger nos oferece uma provocação poderosa, a angústia pode nos reconduzir à nossa própria existência.
Não porque o sofrimento seja desejável, mas porque ao nos retirar dos lugares conhecidos a angústia pode revelar aquilo que a vida cotidiana nos permite evitar.
Por isso algumas angústias não desapareçam quando encontramos uma resposta.
Elas diminuem quando finalmente encontramos um lugar para existir dentro daquilo que sentimos.
A angústia não é o fim do caminho, ela é o momento em que deixamos de fugir de nós mesmos.
E começamos finalmente a nos encontrar.
Como lidar com aquilo que não consegue amar em você?!
Deixa nos comentários!
Ser racional não é não sentir e ser emocional não é perder a razão.
A psicanálise desmonta essa oposição.
Porque, muitas vezes, aquilo que chamamos de “razão” já está atravessado por desejos, medos, fantasias e defesas que desconhecemos e aquilo que chamamos de “emoção” também não é um território puro e transparente, afinal de contas nossos afetos carregam histórias, conflitos e signif**ados que nem sempre conseguimos reconhecer.
O problema não é sentir ou pensar demais.
É acreditar que somos inteiramente senhores daquilo que pensamos e sentimos.
Freud nos mostrou que o Eu não é senhor em sua própria casa
Há algo em nós que deseja, repete, teme e escolhe antes mesmo que consigamos transformar isso em pensamento consciente.
Talvez não precisemos escolher entre razão e emoção.
Mas pensar aquilo que sentimos sem precisar negar o que sentimos, e sentir aquilo que pensamos sem precisar obedecer cegamente aos nossos afetos.
Porque equilíbrio psíquico não é ausência de conflito,  mas a capacidade de reconhecer quando a razão está tentando silenciar um afeto que precisa ser escutado.
A cultura transformou o amor próprio em um ideal de independência, gostar de si, não precisar de ninguém, manter a autoestima sempre elevada
Mas na psicanálise a questão é muito mais profunda.
Freud no Introdução ao Narcisismo nos leva a compreender que o amor próprio não é um sentimento fabricado pela razão, nem um exercício diário de convencimento
Ele é a experiência subjetiva que construímos com aquilo que reconhecemos como nosso
É a relação que estabelecemos com o nosso corpo, com a nossa história, com nossos limites, desejos, fracassos e possibilidades
Amar a si mesmo não signif**a admirar-se o tempo todo
Signif**a conseguir habitar a própria existência sem precisar fugir constantemente dela.
Talvez seja por isso que tantas pessoas confundam amor próprio com autoconfiança, vaidade ou autossuficiência
Essas podem ser apenas tentativas de sustentar uma imagem
O amor próprio porém, não nasce da imagem
Ele nasce do vínculo que estabelecemos com quem somos, inclusive com aquilo que em nós é imperfeito, incompleto e muitas vezes doloroso.
A experiência analítica não ensina alguém a “se amar”.
Ela oferece a possibilidade de um encontro diferente consigo mesmo, encontro em que o sujeito deixa pouco a pouco de viver apenas para corresponder ao olhar do outro e começa a construir uma relação mais verdadeira com a própria subjetividade.
Talvez o amor próprio não seja aprender a se admirar.
Talvez seja antes de tudo aprender a não ser tão rude consigo mesmo
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