Jonathas dos Anjos Psicanalista

Jonathas dos Anjos Psicanalista

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Psicanalista/Supervisor
Professor de Psicanálise no @ceteppsicanalise
Atendimento On Line e Presencial
Av. Andrade Neves, 2025

16/06/2026

Passamos a vida tentando controlar o futuro
Fazemos planos, acumulamos garantias, buscamos prever perdas e evitar dores
Mas o futuro permanece indomável, sempre atravessado pelo acaso, pelo desejo e pelo inesperado.

Talvez a maior ilusão humana seja acreditar que controlamos o que virá
Nem mesmo somos senhores absolutos de nós mesmos; há em cada escolha uma dimensão inconsciente que escapa ao cálculo.

Ainda assim, existe um lugar onde tocamos algo próximo do destino; nossos afetos
Não porque possamos decidir quem amar sem conflitos ou contradições mas porque escolhemos a quem oferecer presença, tempo, escuta e investimento emocional

O futuro é, em grande parte, feito das relações que cultivamos hoje, cada vínculo aprofundado é uma aposta silenciosa sobre o amanhã
Cada pessoa que permitimos habitar nossa intimidade se torna uma força capaz de transformar os caminhos que percorreremos.

Não controlamos os acontecimentos, os encontros ou as despedidas
Não controlamos o tempo
Mas, entre todas as incertezas, talvez o gesto mais próximo de moldar o futuro seja escolher quais amores merecem permanecer conosco enquanto ele acontece.

Porque, no fim, o futuro não é apenas o que nos acontece, é também a soma das pessoas que escolhemos levar conosco até lá

Cena da série: This is Us

15/06/2026

Há pessoas que atravessam a vida habitadas por uma sensação silenciosa de insuficiência e não importa o quanto conquistem, amem, estudem ou se esforcem, existe sempre a impressão de que falta algo para serem, finalmente, dignas de reconhecimento

A psicanálise nos ensina que o narcisismo não é sinônimo de vaidade, é a forma como aprendemos a olhar para nós mesmos a partir do olhar daqueles que nos receberam no mundo
Quando uma criança cresce sentindo que precisa ser mais bonita, mais inteligente, mais obediente ou mais perfeita para merecer amor, ela pode construir um ideal impossível de alcançar

Então nasce uma existência marcada pela comparação
O sujeito não se encontra com quem é, mas com quem acredita que deveria ser.

O resultado é uma vida vivida sob a tirania da falta, a felicidade parece estar sempre no próximo objetivo, no próximo reconhecimento, na próxima versão de si mesmo
Nunca no presente

Muitos adultos não sofrem porque fracassaram, sofrem porque aprenderam que seu valor depende de nunca falhar

E assim passam anos tentando alcançar uma imagem idealizada de si, enquanto abandonam a pessoa real que existe por trás dela.

Talvez amadurecer seja justamente isso; renunciar à fantasia de ser extraordinário para descobrir que ser humano já é suficiente

Cena da Série: O Amor da minha Vida

12/06/2026

Quando se fala em esforço, costuma-se esquecer de uma pergunta fundamental
De onde cada pessoa está partindo?

Duas pessoas podem caminhar na mesma direção, mas não percorrem a mesma estrada
Algumas cresceram cercadas de apoio, segurança e oportunidades
Outras precisaram lidar com perdas, violência, abandono, exclusão ou necessidades básicas não atendidas.

Isso não signif**a que o esforço não importe.
Signif**a apenas que esforço não acontece no vazio.

As desigualdades sociais atravessam os corpos, as relações, os afetos e a forma como cada sujeito aprende a sonhar, confiar e construir projetos para o futuro.

A psicanálise nos ensina que o sofrimento humano não nasce apenas de conflitos internos, ele também é marcado pelas experiências vividas, pelos vínculos estabelecidos e pelas condições concretas em que uma vida se desenvolve.

Escutar alguém é mais do que observar seus resultados.

É tentar compreender sua história.

Porque antes de perguntar por que uma pessoa não chegou mais longe, talvez seja preciso perguntar quais obstáculos ela precisou atravessar para chegar até aqui.

Toda trajetória merece ser compreendida

Entrevista de no

11/06/2026

Há pessoas que passam a vida tentando esconder suas partes machucadas

Como uma fruta aparentemente bonita por fora, mas que carrega em seu interior as marcas de um ataque invisível

Ferenczi utilizou a metáfora da “fruta bichada” para falar dos efeitos do trauma precoce
O problema não está na essência da fruta, o problema está na ferida que a atingiu quando ainda estava em formação

Muitas vezes aquilo que chamamos de insegurança, ansiedade, medo do abandono, dificuldade de confiar, necessidade excessiva de agradar ou sensação constante de não ser suficiente não são defeitos de caráter
São adaptações psíquicas construídas para sobreviver.

A criança que não encontrou proteção onde deveria encontrá-la aprende a duvidar de si mesma. Aprende a silenciar a própria dor e aprende inclusive, a acreditar que o problema está nela

O trauma não destrói apenas a confiança no outro, pode romper a confiança que o sujeito tem em seus próprios sentimentos, percepções e desejos.

Mas existe algo extraordinário na condição humana: aquilo que foi ferido pode ser cuidado, aquilo que foi silenciado pode encontrar palavras, aquilo que precisou sobreviver pode finalmente, começar a viver.

Nem toda fruta marcada está perdida

Às vezes a maior beleza está justamente na história de quem conseguiu florescer apesar das feridas.

Cena da série Sessão de Terapia

09/06/2026

Na psicanálise a figura paterna vai muito além da presença física
Ela representa reconhecimento, amparo, limites e a possibilidade de a criança sentir que existe de forma singular no olhar de alguém que a vê e a confirma

As marcas desse encontro não f**am restritas à infância mas ecoam na forma como amamos, nos relacionamos, enfrentamos perdas, construímos nossa autoestima e buscamos nosso lugar no mundo

Por isso, alguns gestos simples carregam uma força imensa
Uma música, um olhar, um abraço ou uma lembrança podem tocar camadas profundas da nossa história emocional.

Crescemos, envelhecemos, construímos nossas próprias vidas, mas algo da criança que um dia buscou acolhimento no olhar do pai continua habitando dentro de nós

E talvez seja por isso que certas emoções não se explicam mas apenas nos lembram de onde viemos e de quem ajudou a nos tornar quem somos

Vídeo:

27/05/2026

Rimos, muitas vezes, exatamente daquilo que não conseguimos suportar dizer diretamente.

Para a psicanálise, o chiste não é apenas humor
Ele é uma formação do inconsciente
Um modo sofisticado de fazer passar, pela via do riso, algo que estava recalcado, proibido, doloroso ou ambivalente.

Sigmund Freud já apontava que o cômico produz um “alívio” psíquico
O riso rompe por alguns instantes a rigidez da realidade
Por isso, tantas piadas carregam agressividade, sexualidade, crítica social ou sofrimento disfarçado

Há pessoas que transformam abandono em ironia
Solidão em sarcasmo
Ansiedade em excesso de humor

Às vezes a única maneira que encontramos de continuar funcionando sem desmoronar está no humor

O problema começa quando o sujeito só consegue existir atrás do personagem engraçado
Quando o riso deixa de ser expressão e passa a ser defesa permanente contra o contato com a própria dor.

O humor pode revelar inteligência emocional
Mas também pode esconder angústias que nunca encontraram escuta

Talvez por isso algumas pessoas façam todos rirem



Vídeo:

19/05/2026

Dependência emocional é quando permanecer machuca, mas partir parece insuportável.

A pessoa já não f**a porque é feliz.
F**a porque aprendeu a confundir sofrimento com amor.

E aos poucos vai se abandonando para não ser abandonada

18/05/2026

Nem toda ferida vem de fora.
Às vezes, ela vem justamente de quem nos ensinou o que era amor.

Existe uma dor silenciosa em muitos pacientes:
a culpa de se afastar de relações que machucam apenas porque existe um laço de sangue.

Mas vínculo não garante cuidado.
Sobrenome não garante acolhimento.
E família, por si só, não transforma violência em amor.

Há famílias que são abrigo.
Presença, afeto, sustento emocional.
Mas também existem famílias que se tornam um campo constante de tensão, medo e desgaste.

O problema é que fomos ensinados a suportar tudo para manter os vínculos.
E muitas vezes adoecemos tentando preservar relações que nunca nos preservaram.

A fala que incomoda também revela limites.
Revela aquilo que já não conseguimos continuar silenciando.
Pensar limites é também pensar em construção de subjetivo

Talvez a pergunta mais importante seja:
A sua família tem sido lugar de descanso ou de sobrevivência?

Fonte do vídeo: .homem

18/05/2026

Passamos boa parte da vida acreditando que sabemos exatamente por que fazemos o que fazemos.
Mas a psicanálise mostra algo desconfortável: nem sempre somos movidos pela consciência; muitas vezes somos movidos pela falta.

Há pessoas que escolhem profissões tentando conquistar o amor que nunca receberam.
Outras entram em relacionamentos para reparar abandonos antigos.
Algumas vivem ocupadas porque o silêncio as colocaria diante de dores que passaram anos tentando evitar.

Nem todo excesso de produtividade nasce de ambição.
Nem toda exaustão vem apenas do trabalho.
Nem toda dificuldade de continuar é preguiça.

O sujeito contemporâneo aprendeu a funcionar antes mesmo de aprender a sentir.
Aprendeu a cumprir metas, atender expectativas, performar felicidade e seguir em frente mesmo emocionalmente esgotado.
Mas o inconsciente não desaparece só porque foi ignorado.
Ele retorna nos sintomas, nos vazios, nas repetições e naquela estranha sensação de estar vivendo uma vida que já não faz sentido

Freud dizia que o ego não é senhor em sua própria casa.
E talvez uma das experiências mais difíceis da vida seja perceber que muitas das nossas escolhas nunca foram totalmente livres

Por trás de muitos comportamentos existe uma tentativa inconsciente de sobreviver psiquicamente.
Às vezes o sujeito não busca prazer; busca apenas aliviar angústias antigas

A questão não é apenas “o que você faz?”.
A verdadeira pergunta é “o que, dentro de você, precisa tanto que você continue fazendo isso?”

Série: Two and a Half Men (a melhor de todas)

17/05/2026

Tem gente que não foge do amor, foge da sensação de não ser suficiente para ele

Aprendeu cedo demais que afeto podia virar abandono, crítica, silêncio ou dor, então começa a acreditar que ser amado é um risco alto demais

Por isso se afasta
Some
Se fecha
Escolhe o vazio antes que alguém escolha ir embora.

O problema é que, muitas vezes, a solidão não nasce da falta de amor mas da dificuldade de acreditar que merece recebê-lo.

Há pessoas que passam a vida inteira tentando confirmar a ideia de que são “difíceis de amar”, e sem perceber afastam justamente quem tenta f**ar

No fundo, não é sobre não querer amor
É sobre não suportar a possibilidade de perdê-lo outra vez

E talvez amadurecer emocionalmente seja isso, parar de transformar abandono antigo em destino

Cena do Filme: Na natureza Selvagem (2007)

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