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08/12/2025
Dezembro pra muito casal é caos, então decidi vim fazer três simples perguntas que te ajudarão a responder se esse tempo de "qualidade" pode levar os dois pombinhos a entrar em um espiral de escalonamento de conflito alternada com distanciamento.
Se pelo menos duas respostas de três forem "sim", aqui vai uma dica: sentem para conversar sobre os modos como esse tempo pode ser utilizado, combinem sinais para comunicar se as algum diálogo está saindo do controle naquele momento, permitam-se pedir um espaço de tempo para respirarem e cedam esse espaço para o parceiro (a). Principalmente, lembrem-se, vocês estão do mesmo lado... pelo menos, deveriam
Vamos sobreviver ao fim do ano? 🤌😅
07/12/2025
No consultório, vejo algo recorrente: não é a falta de amor que desgasta a relação, mas o modo como as conversas se transformam com o tempo.
Aos poucos, o diálogo se enrijece.
Perguntas ganham o peso de acusações, o tom sobe rápido e o cotidiano vira terreno instável.
A relação perde espaço para respirar, e o vínculo f**a apertado demais para os dois.
O casal tenta, claro. Mas tenta dentro do mesmo circuito que já não sustenta a relação.
Não é amor que falta, é o acúmulo de questões mal resolvidas, que, no tempo, corrói o que antes sustentava os dois.
Se algo desse carrossel tocou em você, tudo bem não decidir nada agora.
Seguir, salvar, dividir com quem caminha ao seu lado, qualquer gesto já pode ser um começo.
Quando fizer sentido, podemos conversar.
Trend do “se colocar de castigo” pode ser divertido, mas se colocar de castigo por que motivo mesmo? 🫠
21/11/2025
20/11/2025
Achei que bastava regar
14/11/2025
Isso não é um elogio ao isolamento, tá? Só consegue f**ar a sós quem já experimentou a presença confiável de uma rede, é poder estar consigo mesmo por saber que há no mundo referências seguras de quem quer que seja.
Estar só, então, não é ausência de vínculo, mas o oposto: é o fruto de relações boas, seguras o suficiente que fazemos ao longo da vida. É o silêncio habitado por quem já foi sustentado, e por isso pode sustentar a si mesmo.
10/11/2025
Dois exemplos:
⚠ Uma criança é vítima de abuso sexual pelo tia, os pais não acreditam nela. Assunto vira tabu: ninguém fala como se jamais tivesse acontecido
⚠ Um adolescente apanha de outros meninos na escola, chega em casa machucado e escuta do pai “se apanhar lá fora, apanha aqui dentro”
se você acha que o trauma se instala “apenas” pelo primeiro ato, reconsidere: o trauma é constituído pelos dois tempos: a violência (algo acontece) e descrença (diminuição do que ocorreu, dúvida e silêncios).
A pessoa marcada pelo sofrimento procura proteção em um outro que descredibiliza o que foi vivido.
Mas há um avesso possível: se uma pessoa ache outra que reconheça sua experiência como legítima, o que seria só trauma pode ganhar forma simbólica e ser transformado em outra coisa.
achar quem legitime o que foi vivido é revolucionário na vida de alguém, pois é capaz de ajuda-lo a suportar e dar sentido ao vivido, alguém que te olha e diz “não foi bobagem”, “não é coisa da sua cabeça”, “eu acredito em você”.
No fim das contas, o que destrói não é apenas o que acontece, é o que não encontra quem sustente o que aconteceu.
07/11/2025
é tiro e queda 🤌
(contém ironia)
03/11/2025
Há quem busque a análise na expectativa de resolver alguma urgência instantaneamente... impossível, tá? Mas escrevo aqui sem julgamentos: raro é quem chega por curiosidade. Sorte que a análise não promete o que não pode entregar.
O que ela faz é bem mais incômodo: te desacomoda do que incomoda. Te arranca do conforto da alienação, daquele lugar onde é mais fácil culpar alguém sem olhar o próprio papel naquilo que se repete. Ela produz sentido, dá forma ao que antes era caos, e devolve ao sujeito a responsabilidade sobre sua própria história.
Porque a psicanálise não resolve: ela desloca. E, nesse deslocamento, o sujeito começa a entrever o desejo que o habita, e o preço que paga por ignorá-lo.
31/10/2025
onde a criança pôs suas pegadas o adulto caminha
28/10/2025
A paixão é o primeiro movimento que nos lança em direção a um outro.
Nasce de uma tentativa, sempre fracassada e necessária, de nos reconciliar com a própria falta.
E aí é que tá: essa suspensão temporária da realidade precisa cair pra que o amor prevaleça.
Seria insuportável viver assim, tão investidos narcisicamente em um só objeto de desejo, iludidos e cegos.
A paixão é, no fundo, um mal-entendido.
Nesse estado, acredita-se piamente ter encontrado alguém capaz de preencher o que nos falta, o reflexo inconsciente do nosso desejo.
A paixão é essa promessa que não se cumpre e ainda bem. Porque é quando ela cai que o amor pode começar.
É nesse ponto que se percebe que alguém não te completa; pelo contrário, te convoca à falta, à diferença, ao trabalho de ser dois.
E como dá trabalho, minha gente.
Quando a paixão cai, há quem não suporte ver a diferença nem sustente a própria falta.
E salta de paixão em paixão, vivendo do entorpecimento temporário que cada uma provoca, como o adicto.
Afinal, a paixão jamais cumpre,
mas torna a vida, por instantes, suportável.
22/10/2025
Ouvi uma vez um poeta dizer que, se sabemos identif**ar por que amamos alguém, então não o amamos de fato.
De fato, o motivo que nos leva a eleger uma pessoa como objeto do nosso amor é uma incógnita.
O amor é acionado por um traço, um fragmento, um detalhe mínimo
aquele brilho específico, singular, imperceptível ao racional
O amor toca uma marca antiga, que se ancora em um traço reconhecemos em um outro sem sabermos o porquê, como um estranho familiar já inscrito nas nossas memórias mais primitivas, por isso, jamais completamente reveladas.
Os casais vão descobrindo isso aos poucos e nunca completamente.
“Ela faz as coisas igualzinha à minha mãe.”
“Ranzinza igual ao meu pai.”
(O amor não é perfeito, tá?)
Carregar a sabedoria de que o amor não é consciente nem mensurável
é, no fundo, um alívio.
Porque essa crença obsessiva de que o amor vai chegar
quando tivermos mais massa muscular, menos percentual de gordura, quando se souber simplesmente não se sustenta.
Os homens héteros não precisam pagar coach de relacionamento
nem participar do Legendários pra encontrar uma cúmplice de vida.
Não há manual.
O amor é um detalhe:
um timbre de voz, um cheiro,
ou qualquer outra marca que se carrega sem saber.
Palavra do inconsciente.
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