Juarez Penna
Informações para nos contatar, mapa e direções, formulário para nos contatar, horário de funcionamento, serviços, classificações, fotos, vídeos e anúncios de Juarez Penna, Rio de Janeiro.
Luz do amor
Deserto da saudade #
Era tão fácil dizer
Eu, escritor
Por Juarez Penna
Estou reescrevendo um livro há cinco anos.
Cinco anos vivendo dentro de uma história chamada Sequestro Civil. Cinco anos respirando personagens que, em muitos momentos, parecem mais vivos do que as pessoas que atravessam a rua diante de mim.
Quem vê um livro pronto numa estante não imagina o que existe por trás dele. Não imagina que escrever é adoecer um pouco junto das personagens. É perder noites. É discutir sozinho. É sentir culpa por coisas que nunca aconteceram — e saudade de pessoas que nunca existiram.
Minhas personagens não são bonecos. Elas me atravessam.
Há dias em que sinto raiva delas. Há dias em que choro por elas. Há dias em que preciso fechar o arquivo do livro e me afastar, porque a história começa a ocupar espaço demais dentro de mim. Como uma casa escura onde você entra por alguns minutos e, quando percebe, já mora lá há meses.
Foi assim com Sequestro Civil. Houve um momento em que precisei abandonar o livro para continuar respirando. Não porque a história tivesse acabado, mas porque ela ainda estava viva demais.
Escrever, para mim, nunca foi um exercício técnico. Nunca foi apenas organizar palavras bonitas numa página. Escrever é envolvimento. É paixão. É mergulho.
Eu sou passional com tudo o que crio.
Acredito que toda história já existe em algum lugar antes de chegar ao papel. Como se o universo fosse feito de camadas invisíveis, mundos sobrepostos, emoções suspensas no ar esperando alguém capaz de captá-las.
O escritor talvez seja isso: uma antena humana.
Alguém condenado a ouvir frequências que os outros ignoram.
Às vezes uma cena chega inteira. Às vezes vem só uma frase. Um rosto. Um cheiro. Um trauma. Uma lembrança que nunca vivi. E aquilo começa a crescer dentro da mente até ganhar carne, voz e destino.
As pessoas perguntam de onde vêm as ideias.
Eu não sei.
Talvez elas venham de lugares que ainda não entendemos. Talvez toda ficção seja memória de alguma dimensão esquecida. Talvez imaginar seja apenas recordar mundos paralelos.
Eu só sei que sinto.
E quando sinto, escrevo.
Porque acredito que tudo o que pensamos cria existência dentro de nós. Toda emoção materializa alguma coisa. Todo medo cria sombra. Todo amor cria permanência.
A literatura nasce exatamente nesse ponto: quando alguém transforma emoção em matéria.
Escrever é uma carta de amor para o mundo.
Mesmo quando o texto fala de violência, perda, culpa ou abandono, ainda existe amor ali. Porque alguém parou a própria vida para sentir profundamente e transformar isso em linguagem.
O escritor é alguém que sangra em silêncio para que outra pessoa, em algum lugar, se sinta menos sozinha.
Talvez seja isso que eu faça há cinco anos com esse livro.
Talvez eu esteja apenas tentando traduzir um universo invisível.
E talvez toda obra seja isso no fim: um coração tentando deixar vestígios antes do silêncio.
Coração rubro-negro novo livro, link na bio
Arrependimento
Solidão
Clique aqui para requerer seu anúncio patrocinado.
Telefone
Endereço
Rio De Janeiro, RJ