Dr. Carlos Eduardo de Barros

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23/04/2026

Uma adolescente em tratamento oncológico, com choque séptico e disfunção grave do ventrículo esquerdo — e o diagnóstico não era infarto nem miocardite.

Era síndrome de Takotsubo.

Publiquei recentemente esse caso raro, que me marcou bastante não apenas pela complexidade clínica, mas também pelo que ele ensina: mesmo uma condição claramente descrita em mulheres mais velhas, após estresse intenso, pode aparecer em contextos completamente diferentes e exigir suspeita diagnóstica bem apurada.

A síndrome de Takotsubo é uma cardiomiopatia aguda e transitória que costuma simular uma síndrome coronariana aguda, mas sem obstrução significativa das coronárias. No caso publicado, ela ocorreu em uma paciente oncológica jovem, em um cenário de grande estresse fisiológico, o que evidencia como a cardio-oncologia nos obriga a enxergar além do óbvio.

Esse artigo teve também um valor especial para mim porque nasceu de um caso que acompanhei e diagnostiquei na prática. Depois, orientei cardiologistas e estudantes na elaboração do relato científico, transformando um caso real em conhecimento compartilhado.

É disso que a medicina também precisa: olhar atento à beira do leito, raciocínio clínico sólido e disposição para ensinar e publicar.

Casos raros não servem apenas para chamar a atenção. Eles ampliam o repertório, refinam o diagnóstico e podem ajudar outros colegas a reconhecer situações semelhantes no futuro.

Publicar ciência a partir da prática clínica é uma forma de cuidado que ultrapassa o consultório e alcança muitos outros pacientes.

Se você acredita no valor da medicina bem observada, discutida e compartilhada, este caso vai te interessar.

pesquisacientifica

Photos from Dr. Carlos Eduardo de Barros's post 06/02/2026

Uma das conversas mais frequentes que tenho no consultório é sobre o medo dos efeitos colaterais das estatinas. Muitos pacientes chegam resistentes ao tratamento, atribuindo qualquer novo sintoma, especialmente dores musculares, ao medicamento. É uma preocupação genuína, mas que muitas vezes se baseia em mitos e informações desencontradas.

Sempre explico que, para a dor muscular ser de fato relacionada à estatina (um quadro chamado miopatia), precisamos de evidências concretas, como a elevação de enzimas musculares (CPK) e hepáticas (TGO/TGP) no sangue. Sem essa alteração laboratorial, a chance de a dor ser causada pelo remédio é mínima.

Agora, uma robusta meta-análise publicada na prestigiada revista The Lancet vem reforçar essa visão com dados de mais de 123 mil pacientes. O estudo, conduzido pela Colaboração de Pesquisadores de Tratamento de Colesterol (CTT), avaliou 66 efeitos adversos listados nas bulas das estatinas e a conclusão é clara: a grande maioria não tem relação causal com o medicamento.

O que a ciência diz:

• 62 de 66 efeitos adversos NÃO foram confirmados em ensaios clínicos controlados e duplo-cegos. Isso inclui problemas como comprometimento cognitivo, depressão, distúrbios do sono e neuropatia periférica.
• Apenas 4 tiveram uma associação mínima, com um risco absoluto muito baixo (menos de 0,1% ao ano), sendo as alterações de enzimas hepáticas as mais relevantes – algo que monitoramos rotineiramente.

As estatinas são uma das classes de medicamentos que mais salvam vidas na cardiologia. Seus benefícios na prevenção de infarto e AVC superam, e muito, os riscos reais, que são raros e monitoráveis.

Não deixe o medo infundado privar você de uma proteção cardiovascular comprovada pela ciência. Converse com seu cardiologista e tire suas dúvidas.

Fonte: CTT Collaboration. Assessment of adverse effects attributed to statin therapy in product labels: a meta-analysis of double-blind randomised controlled trials. The Lancet, Feb 2026. DOI: 10.1016/S0140-6736(25)01578-8

06/02/2026

Uma das conversas mais frequentes que tenho no consultório é sobre o medo dos efeitos colaterais das estatinas. Muitos pacientes chegam resistentes ao tratamento, atribuindo qualquer novo sintoma, especialmente dores musculares, ao medicamento. É uma preocupação genuína, mas que muitas vezes se baseia em mitos e informações desencontradas.

Sempre explico que, para a dor muscular ser de fato relacionada à estatina (um quadro chamado miopatia), precisamos de evidências concretas, como a elevação de enzimas musculares (CPK) e hepáticas (TGO/TGP) no sangue. Sem essa alteração laboratorial, a chance de a dor ser causada pelo remédio é mínima.

Agora, uma robusta meta-análise publicada na prestigiada revista The Lancet vem reforçar essa visão com dados de mais de 123 mil pacientes. O estudo, conduzido pela Colaboração de Pesquisadores de Tratamento de Colesterol (CTT), avaliou 66 efeitos adversos listados nas bulas das estatinas e a conclusão é clara: a grande maioria não tem relação causal com o medicamento.

O que a ciência diz:

• 62 de 66 efeitos adversos NÃO foram confirmados em ensaios clínicos controlados e duplo-cegos. Isso inclui problemas como comprometimento cognitivo, depressão, distúrbios do sono e neuropatia periférica.
• Apenas 4 tiveram uma associação mínima, com um risco absoluto muito baixo (menos de 0,1% ao ano), sendo as alterações de enzimas hepáticas as mais relevantes – algo que monitoramos rotineiramente.

As estatinas são uma das classes de medicamentos que mais salvam vidas na cardiologia. Seus benefícios na prevenção de infarto e AVC superam, e muito, os riscos reais, que são raros e monitoráveis.

Não deixe o medo infundado privar você de uma proteção cardiovascular comprovada pela ciência. Converse com seu cardiologista e tire suas dúvidas.

Fonte: CTT Collaboration. Assessment of adverse effects attributed to statin therapy in product labels: a meta-analysis of double-blind randomised controlled trials. The Lancet, Feb 2026. DOI: 10.1016/S0140-6736(25)01578-8

02/02/2026

Com grande satisfação, anuncio minha nomeação como revisor científico para o Journal of the American College of Cardiology (JACC), integrando a turma de 2025.

O JACC (jornal da sociedade americana de cardiologia) é uma das publicações de maior impacto na cardiologia a nível mundial, e o processo de revisão por pares é um pilar essencial para a integridade e o avanço da ciência. A função do revisor científico é avaliar manuscritos de forma crítica e construtiva, assegurando a qualidade, validade e relevância da pesquisa antes de sua publicação. Esta responsabilidade contribui diretamente para que apenas os estudos mais rigorosos e significativos cheguem à comunidade médica e, consequentemente, à prática clínica.

Fazer parte deste corpo de revisores representa um compromisso com a excelência na pesquisa cardiovascular e uma oportunidade de contribuir ativamente para o avanço do conhecimento na minha área de atuação. É uma etapa importante na carreira acadêmica, que reflete o reconhecimento do trabalho desenvolvido até aqui e a confiança para colaborar com a vanguarda da cardiologia.

Agradeço a oportunidade ao American College of Cardiology e reafirmo meu empenho em colaborar para a manutenção dos altos padrões de qualidade do JACC.

A lista oficial com os nomes dos revisores para o ano de 2025 pode ser consultada no link abaixo.

https://www.acc.org/Education-and-Meetings/Products-and-Resources/JACC-Peer-Review-Certificate

PesquisaCientífica AmericanCollegeOfCardiology

17/01/2026

Com imensa alegria e um profundo sentimento de realização, compartilho com todos a oficialização de uma das mais importantes conquistas da minha carreira: o recebimento do título de Fellow of the American College of Cardiology (FACC), um título internacional concedido pela Sociedade Americana de Cardiologia.

Após quase um ano de espera desde a aprovação, finalmente recebi este diploma após a cerimônia oficial da American College of Cardiology, durante o Congresso Americano de Cardiologia em Chicago, em 2025. Ter este diploma em mãos simboliza não apenas a conclusão de um ciclo, mas o reconhecimento por uma das mais respeitadas e influentes organizações de cardiologia do mundo. A designação FACC é concedida a um seleto grupo de médicos que demonstram, através de uma rigorosa avaliação, um compromisso inabalável com a excelência no cuidado cardiovascular.

O processo para se tornar um Fellow não se baseia em uma única prova, mas sim em uma análise aprofundada da trajetória profissional. São avaliados a formação, as certificações de especialista, as contribuições para a medicina através de publicações científicas e atividades acadêmicas. É necessário ser referendado por outros profissionais que já detêm este título, o que torna a honraria um verdadeiro atestado de competência e integridade, validado pelos próprios pares.

Receber o título de FACC carrega uma credibilidade que transcende fronteiras, sendo um selo de qualidade e prestígio reconhecido internacionalmente. Para mim, representa a certeza de estar alinhado com os mais elevados padrões da cardiologia mundial. Para meus pacientes, é a garantia de um cuidado pautado na vanguarda do conhecimento e em uma dedicação que vai além do consultório.

Encerro esta etapa com o coração grato e com a energia renovada para continuar minha missão: oferecer uma medicina de excelência, com ética, ciência e, acima de tudo, humanidade.

24/10/2025
24/10/2025

Sua pressão é 12/8? Talvez não seja mais o ideal.

Uma das perguntas mais frequentes aqui no consultório ultimamente é: “Doutor, minha pressão sempre foi 12 por 8, isso mudou?”. A resposta é SIM, e essa é uma das atualizações mais importantes da cardiologia moderna!

De acordo com a mais recente diretriz publicada em agosto de 2025 pela American Heart Association (AHA) e pelo American College of Cardiology (ACC), a pressão arterial que antes considerávamos ótima (120/80 mmHg), hoje já é classificada como PRESSÃO ELEVADA.

O que isso significa na prática?

Significa que a prevenção começa mais cedo! Já neste estágio, iniciamos o tratamento. Mas calma, o foco não é em medicamentos, e sim em mudanças de estilo de vida para evitar que a pressão continue subindo e se transforme em hipertensão (doença crônica).

O que fazer se sua pressão está em 120/80 mmHg?

O tratamento começa com medidas como:

✅ Redução do consumo de sal para menos de 2.300 mg/dia (ideal: 1.500 mg/dia).
✅ Adoção de uma dieta balanceada, como a DASH (Dietary Approaches to Stop Hypertension).
✅ Prática regular de atividade física (75-150 minutos por semana).
✅ Controle do peso corporal (meta de pelo menos 5% de redução se houver sobrepeso).
✅ Gerenciamento do estresse com exercícios, meditação ou yoga.
✅ Consumo limitado ou nenhum de álcool.

Hoje, a pressão arterial considerada NORMAL é apenas aquela abaixo de 120/80 mmHg.

Essa mudança nas diretrizes tem um objetivo claro: proteger seu coração e seu cérebro de forma mais eficaz, reduzindo o risco de infartos, AVCs, declínio cognitivo e demência no futuro.

Cuidar-se é um ato de amor-próprio. A prevenção é sempre o melhor caminho para uma vida longa e saudável. Mantenha o seu acompanhamento e check up em dia!

Fonte: 2025 AHA/ACC/AANP/AAPA/ABC/ACCP/ACPM/AGS/AMA/ASPC/NMA/PCNA/SGIM Guideline for the Prevention, Detection, Evaluation, and Management of High Blood Pressure in Adults (Publicada em 14 de agosto de 2025)

23/10/2025

Sua pressão é 12/8? Talvez não seja mais o ideal.

Uma das perguntas mais frequentes aqui no consultório ultimamente é: “Doutor, minha pressão sempre foi 12 por 8, isso mudou?”. A resposta é SIM, e essa é uma das atualizações mais importantes da cardiologia moderna!

De acordo com a mais recente diretriz publicada em agosto de 2025 pela American Heart Association (AHA) e pelo American College of Cardiology (ACC), a pressão arterial que antes considerávamos ótima (120/80 mmHg), hoje já é classificada como PRESSÃO ELEVADA.

O que isso significa na prática?

Significa que a prevenção começa mais cedo! Já neste estágio, iniciamos o tratamento. Mas calma, o foco não é em medicamentos, e sim em mudanças de estilo de vida para evitar que a pressão continue subindo e se transforme em hipertensão (doença crônica).

O que fazer se sua pressão está em 120/80 mmHg?

O tratamento começa com medidas como:

✅ Redução do consumo de sal para menos de 2.300 mg/dia (ideal: 1.500 mg/dia).
✅ Adoção de uma dieta balanceada, como a DASH (Dietary Approaches to Stop Hypertension).
✅ Prática regular de atividade física (75-150 minutos por semana).
✅ Controle do peso corporal (meta de pelo menos 5% de redução se houver sobrepeso).
✅ Gerenciamento do estresse com exercícios, meditação ou yoga.
✅ Consumo limitado ou nenhum de álcool.

Hoje, a pressão arterial considerada NORMAL é apenas aquela abaixo de 120/80 mmHg.

Essa mudança nas diretrizes tem um objetivo claro: proteger seu coração e seu cérebro de forma mais eficaz, reduzindo o risco de infartos, AVCs, declínio cognitivo e demência no futuro.

Cuidar-se é um ato de amor-próprio. A prevenção é sempre o melhor caminho para uma vida longa e saudável. Mantenha o seu acompanhamento e check up em dia!

Fonte: 2025 AHA/ACC/AANP/AAPA/ABC/ACCP/ACPM/AGS/AMA/ASPC/NMA/PCNA/SGIM Guideline for the Prevention, Detection, Evaluation, and Management of High Blood Pressure in Adults (Publicada em 14 de agosto de 2025)

19/08/2025

É com satisfação que compartilho a aprovação no JACC Peer Review Certificate Program, concedido pelo American College of Cardiology (ACC).

Trata-se de um curso internacional, realizado por pesquisadores de todo o mundo, no qual em média apenas 22 profissionais por ano são aprovados. O programa tem como objetivo formar revisores capazes de conduzir análises críticas, concisas e construtivas, seguindo os mais altos padrões editoriais.

Os aprovados são selecionados para atuar como revisores oficiais dos artigos científicos da American College of Cardiology, sociedade reconhecida mundialmente pela excelência em cardiologia.

O certificado foi assinado por duas grandes referências:
• Valentin Fuster, MD, PhD, MACC – Editor-in-Chief do Journal of the American College of Cardiology, diretor do Mount Sinai Heart (NY) e uma das vozes mais influentes da cardiologia mundial.
• Fred Kusumoto, MD, FACC – Chair do programa de revisão do JACC e referência internacional em eletrofisiologia clínica.

Este reconhecimento vai além de um certificado formal: simboliza meu compromisso permanente com a produção e a avaliação crítica da ciência de qualidade, além de reforçar minha dedicação em contribuir ativamente para a comunidade cardiovascular global.

Photos from Dr. Carlos Eduardo de Barros's post 16/08/2025

🫀 Aterosclerose: a placa invisível que ameaça seu coração

Muita gente imagina que “placa” é apenas aquela que se forma nos dentes. Mas existe outra, muito mais perigosa: a placa que cresce dentro das artérias.

🔴 Essa placa é formada por gordura, colesterol e inflamação, que se acumulam nas paredes dos vasos sanguíneos, dificultando a passagem do sangue.
Com o tempo, ela pode se romper e causar infarto ou AVC.

⚠️ O problema é que a aterosclerose pode se desenvolver de forma silenciosa por muitos anos, sem sintomas.

✅ A boa notícia é que hoje existem exames capazes de detectar precocemente essas alterações. Quanto antes identificamos, maiores as chances de prevenir complicações e garantir uma vida saudável.

👉 Se você tem colesterol alto, hipertensão, diabetes, tabagismo ou histórico familiar de doença cardiovascular, investigar é fundamental.

📞 Agende sua consulta e vamos conversar sobre a melhor forma de proteger seu coração.

Fonte: American Heart Association
Slide 1 – O que é aterosclerose
👉 “Aterosclerose: o inimigo silencioso que obstrui suas artérias.”

Slide 2 – Artéria saudável
👉 “Assim é uma artéria saudável: livre e sem bloqueios.”

Slide 3 – Artéria doente (placa)
👉 “Quando a placa se forma, o sangue não consegue fluir direito.”

Slide 4 – Formação da placa
👉 “A placa cresce com o tempo: de discreta até se tornar perigosa.”

Slide 5 – Risco de ruptura
👉 “A ruptura da placa pode causar infarto ou AVC em segundos.”

Slide 6 – Boas notícias
👉 “Até 80% dos infartos e AVCs podem ser prevenidos. Investigue cedo!”

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