Dra Maíra Oncologista

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30/09/2026

Tem uma parte do tratamento que quase ninguém vê.

Não é o dia da primeira quimioterapia.
Não é o resultado do exame.
Não é a notícia que mobiliza família e amigos.

É a terça-feira comum em que você acorda cansado e, ainda assim, toma os medicamentos.

É voltar para mais uma consulta.

É conviver com a incerteza entre um exame e outro.

É tentar trabalhar, cuidar da casa, responder mensagens e manter alguma rotina enquanto existe tanta coisa acontecendo por dentro.

No começo, muita gente pergunta como você está.

Com o tempo, a vida ao redor retoma o ritmo. Mas quem está atravessando um câncer sabe que o esforço continua.

Talvez algumas das maiores demonstrações de coragem aconteçam justamente aí: quando não existe plateia, notícia boa para comemorar ou frase capaz de resolver.

Só existe o próximo dia.

E você continua.

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24/09/2026

Os ADCs estão entre as classes de medicamentos que mais têm ganhado espaço na oncologia nos últimos anos.

A proposta é sofisticada: combinar a capacidade de um anticorpo de reconhecer determinado alvo com a ação de uma carga citotóxica.

Mas é importante fugir de uma interpretação simplista.

ADC não é uma quimioterapia que “só mata o câncer” e ignora completamente o restante do organismo. Esses medicamentos também podem causar toxicidades e sua eficácia depende de características específicas do tumor e do alvo escolhido.

O avanço está na possibilidade de tornar a entrega do tratamento mais direcionada — e, com as novas gerações de ADCs, ampliar as possibilidades terapêuticas em diferentes cenários.

É mais um exemplo de como a oncologia está deixando de olhar apenas para onde o câncer surgiu e passando a entender, cada vez mais, a biologia da doença que está sendo tratada.

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Photos from Dra Maíra Oncologista's post 22/09/2026

Quando pensamos no futuro do tratamento do câncer, é fácil imaginar que a próxima grande mudança virá de um medicamento revolucionário.

Talvez não seja tão simples.

Uma das transformações mais interessantes da oncologia está acontecendo na nossa capacidade de obter informações cada vez mais detalhadas sobre a doença.

O ctDNA pode permitir acompanhar sinais moleculares do tumor pelo sangue. Os ADCs estão ficando mais sofisticados. Vacinas terapêuticas personalizadas tentam direcionar o sistema imunológico para características específicas de cada tumor. A inteligência artificial começa a ajudar na interpretação de uma quantidade de dados que seria impossível analisar manualmente na mesma escala.

E novos alvos moleculares continuam abrindo possibilidades para grupos cada vez mais específicos de pacientes.

Algumas dessas tecnologias já fazem parte da prática clínica em determinados cenários. Outras ainda precisam demonstrar, em estudos maiores, exatamente onde trazem benefício.

E essa distinção importa.

Porque acompanhar inovação não significa transformar toda novidade em promessa.

Significa entender quais avanços têm evidência suficiente para mudar a vida dos pacientes — e quais ainda precisam amadurecer.

Talvez o grande salto dos próximos anos não seja simplesmente termos mais tratamentos.

Seja sabermos cada vez melhor qual tratamento usar, para qual paciente e em qual momento.

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Photos from Dra Maíra Oncologista's post 18/09/2026

Se alguém recebeu tratamento para câncer de pulmão há dez anos, é possível que a experiência dessa pessoa seja bastante diferente da de um paciente diagnosticado hoje.

Não porque a doença tenha deixado de ser grave.

Mas porque passamos a conhecê-la melhor.

Nos últimos anos, os te**es moleculares ganharam um papel cada vez maior na tomada de decisão. Alterações específicas podem revelar alvos para medicamentos e modificar completamente a sequência terapêutica.

A imunoterapia também ampliou seu espaço e, assim como algumas terapias-alvo, passou a ser utilizada em determinados cenários mais precoces da doença — não apenas na doença metastática.

Ao mesmo tempo, aprendemos que nem toda novidade serve para todo paciente.

Quimioterapia continua sendo fundamental. Cirurgia continua sendo fundamental. Radioterapia continua sendo fundamental.

A diferença é que hoje temos mais informações para decidir como combinar e sequenciar essas estratégias.

Por isso, uma das perguntas mais importantes depois de um diagnóstico de câncer de pulmão pode ser:

“Já sabemos quais são as características moleculares do meu tumor?”

Em 2026, conhecer essas informações não é apenas uma curiosidade científica. Para muitos pacientes, elas podem definir o tratamento.

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Photos from Dra Maíra Oncologista's post 14/09/2026

Poucas situações deixam uma pessoa tão vulnerável a promessas quanto receber um diagnóstico de câncer.

É compreensível querer encontrar uma alternativa que seja mais simples, menos dolorosa ou que ofereça uma certeza que a medicina nem sempre consegue oferecer.

É exatamente nesse espaço que muitas falsas curas aparecem.

O maior problema nem sempre é aquilo que o paciente toma.

É aquilo que ele deixa de fazer enquanto acredita que aquilo vai funcionar.

Uma cirurgia que é adiada. Um tratamento que não começa. Um sintoma que deixa de ser investigado. Uma terapia eficaz que é interrompida.

Também precisamos tomar cuidado para não cair no extremo oposto: nem todo câncer precisa ser tratado imediatamente, e fazer os exames necessários antes de definir a conduta não significa perder tempo.

Existe diferença entre tempo necessário para tomar uma boa decisão e atraso provocado por uma promessa sem evidência.

Se você encontrar algo na internet que parece extraordinário, leve para o seu oncologista.

Não tenha vergonha de perguntar.

Meu papel não é ridicularizar a sua dúvida. É ajudar você a separar uma possibilidade real de uma promessa que pode lhe custar algo que não conseguimos recuperar: tempo.

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02/09/2026

Durante muitos anos, câncer e quimioterapia viraram quase sinônimos.

Hoje, a oncologia é muito mais complexa — e muito mais personalizada.

Existem tumores em que começamos por cirurgia.
Outros respondem melhor a hormonioterapia, imunoterapia ou terapias-alvo.

E existem casos em que a melhor decisão inicial é observar antes de intervir.

Isso não significa tratar menos.
Significa tratar de forma mais inteligente.

Na oncologia moderna, o foco não é usar o tratamento mais “forte”.
É usar o tratamento certo para aquele tumor e para aquela pessoa.

Dra. Maíra Duizith

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31/08/2026

Quando o assunto é câncer, tudo parece urgente.

E, emocionalmente, eu entendo isso completamente.

Mas existe uma parte da oncologia que pouca gente vê:
o tratamento começa muito antes da primeira medicação.

Começa no diagnóstico correto.

Hoje, muitas decisões dependem de detalhes moleculares, exames complementares e características específicas do tumor.

E pular etapas por ansiedade pode significar:
❌ tratamento inadequado
❌ perda de oportunidade terapêutica
❌ mais toxicidade com menos benefício

Na prática, não é sobre “ganhar tempo”.
É sobre não perder direção.

Dra. Maíra Duizith

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Photos from Dra Maíra Oncologista's post 26/08/2026

Durante muito tempo, o HPV foi lembrado quase exclusivamente por sua relação com o câncer de colo do útero.

Hoje sabemos que essa é apenas uma parte da história.

O vírus também está associado ao desenvolvimento de outros tumores, entre eles o câncer de orofaringe, que acomete estruturas como as amígdalas e a base da língua.

Isso não significa que toda infecção por HPV levará ao câncer.

Na verdade, a maioria é eliminada naturalmente pelo organismo.

Mas a persistência da infecção por alguns subtipos de alto risco pode favorecer alterações celulares ao longo dos anos.

A boa notícia é que existe prevenção.

A vacinação é uma das estratégias mais eficazes para reduzir o risco dessas infecções e, consequentemente, de vários tipos de câncer relacionados ao HPV.

Informação, vacinação e diagnóstico precoce continuam sendo algumas das ferramentas mais importantes que temos na prevenção.

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20/08/2026

Tem um momento no consultório em que o paciente para de falar de exame, de remédio, de prognóstico…
e diz, com uma honestidade que desarma qualquer protocolo:

“Eu só quero viver normal por um tempo.”

Não é desistência.
É exaustão.

É o corpo pedindo pausa.
É a mente tentando lembrar como era a vida antes de tudo isso.

E, muitas vezes, é aí que a medicina precisa escutar mais do que intervir.

Porque tratar não é só prolongar tempo.
É entender como esse tempo pode ser vivido.

Às vezes, ajustar o plano, reorganizar o ritmo, abrir espaço para o que importa
faz parte do cuidado tanto quanto qualquer medicação.

No fim, não é sobre escolher entre tratar e viver.
É sobre não perder a vida enquanto se trata.

Dra. Maíra Duizith

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18/08/2026

Tem consultas que terminam com perguntas.
Outras, com planos.

E algumas… terminam em silêncio.

Não porque faltou o que dizer.
Mas porque, naquele momento, o silêncio dizia mais do que qualquer explicação.

Eu lembro daquela consulta até hoje.

O paciente ouviu tudo. Prognóstico, possibilidades, próximos passos.
E depois ficou quieto.

Sem chorar.
Sem perguntar.
Só quieto.

E foi ali que eu entendi:
às vezes, o impacto de uma notícia não aparece no desespero.
Aparece na pausa.

Na oncologia, a gente aprende que nem toda reação é visível.
Tem gente que processa falando.
Tem gente que processa organizando.
E tem gente que processa em silêncio.

Naquele dia, eu não tentei preencher o vazio com frases prontas.
Só permaneci ali.

Porque, em alguns momentos, o cuidado não está na resposta.
Está na presença.

Dra. Maíra Duizith

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