Dra. Beatriz Raz
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29/05/2026
A Anvisa aprovou um novo medicamento para pacientes com Doença de Parkinson avançada que já não respondem bem aos comprimidos tradicionais.
Chamado Vyalev®, o tratamento utiliza infusão contínua de levodopa por 24 horas através de uma pequena bomba aplicada abaixo da pele. A proposta é reduzir as oscilações motoras comuns nas fases mais avançadas da doença.
A levodopa é o principal medicamento usado no Parkinson há décadas e funciona como uma “matéria-prima” da dopamina.
No Parkinson, neurônios da substância negra — região cerebral responsável pela produção de dopamina — degeneram progressivamente. Com menos dopamina, áreas como os gânglios da base passam a funcionar de forma desorganizada, prejudicando movimentos, equilíbrio e coordenação.
A levodopa atravessa a barreira hematoencefálica e, ao chegar ao cérebro, é transformada em dopamina, ajudando a melhorar tremores, rigidez e lentidão.
Com a progressão da doença, porém, o cérebro passa a responder de maneira mais irregular aos comprimidos. O paciente alterna períodos “on”, quando o remédio funciona, e períodos “off”, quando os sintomas retornam intensamente.
O Vyalev® tenta reduzir justamente essas oscilações, mantendo níveis mais estáveis de dopamina ao longo do dia.
Mas o Parkinson vai além do movimento.
A doença também pode afetar voz, linguagem, as funções executivas e a deglutição. Muitos pacientes apresentam alterações vocais como diminuição do volume e monotonia, em casos mais graves dificuldade para engolir saliva, alimentos e até medicamentos.
Além da terapia medicamentosa, o fonoaudiólogo atua na reabilitação da voz que conta com certificações como o Lee Silverman e na terapia de deglutição, ajudando o paciente a manter funcionalidade, segurança alimentar e qualidade de vida ao longo da progressão da doença.
28/05/2026
Os tubos de fonação, como o Lax Vox®, vão muito além de um simples exercício vocal.
Os Exercícios de Trato Vocal Semiocluído (ETVSO) ajudam a promover uma produção vocal mais eficiente, com menor esforço laríngeo, melhor ressonância, redução do impacto entre as pregas vocais e maior economia vocal. Por isso, são amplamente utilizados tanto na clínica fonoaudiológica quanto no treinamento vocal profissional.
Além dos benefícios para a voz, estudos também vêm demonstrando efeitos positivos desses exercícios na deglutição, especialmente por favorecerem ajustes respiratórios, coordenação pneumofonoarticulatória, pressão intraoral e organização funcional das estruturas envolvidas na proteção de vias aéreas e dinâmica laríngea.
Na prática clínica, vemos aplicações importantes em:
✔️ Disfonias
✔️ Fadiga vocal
✔️ Voz profissional
✔️ Reabilitação neurológica
✔️ Treino respiratório-fonatório
✔️ Disfagia
📚 Alguns artigos interessantes sobre o tema: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/27849247/
• https://reposit https://www.redalyc.org/journal/3915/391569852001/html/
Quando uma emoção é real, o cérebro muda a voz.
Durante as gravações de Mamma Mia!, Meryl Streep fez questão de cantar ao vivo em todas as cenas — mesmo sabendo que algumas partes poderiam ser regravadas depois em estúdio.
Segundo a diretora Phyllida Lloyd, a escolha aconteceu porque Meryl queria que a audiência sentisse a verdade daquele momento.
E talvez seja exatamente por isso que a cena de “The Winner Takes It All” seja tão impactante.
Porque emoção não aparece apenas na interpretação.
Ela aparece na respiração, na coordenação pneumofonoarticulatória, na tensão muscular, na modulação vocal, na prosódia, na articulação da fala e até nas pequenas instabilidades da voz.
O cérebro emocional conversa o tempo todo com áreas motoras responsáveis pela fala e pela produção vocal.
Estruturas como sistema límbico, córtex motor, córtex pré-frontal, cerebelo e tronco encefálico participam constantemente do controle fino da voz, da expressão facial, da intenção comunicativa e da carga emocional transmitida durante uma performance.
E é justamente por isso que algumas vozes atravessam a tela.
Porque elas não entregam apenas técnica.
Elas carregam integração neural, intenção, memória emocional e autenticidade sensorial.
Na Fonoaudiologia, entendemos que voz não é apenas emissão sonora.
A voz é um comportamento neuromotor extremamente sofisticado, resultado da integração entre cérebro, respiração, ressonância, articulação, emoção, cognição e linguagem.
Até mesmo pequenas alterações emocionais podem modificar frequência vocal, intensidade, tempo de fala, pausas respiratórias e qualidade vocal.
Talvez seja por isso que performances como essa nos atravessam de forma tão profunda.
Porque antes de cantar, o cérebro sente.
E a voz revela!
O que Alzheimer, Parkinson, AVC, ELA, epilepsia e depressão têm em comum?
Apesar das diferenças entre essas condições, a neurociência moderna vem identificando um mecanismo compartilhado em muitas doenças neurológicas: a neuroinflamação.
Um relatório publicado em 2024 pela revista The Lancet Neurology, com dados do estudo Global Burden of Disease e participação da OMS, mostrou que cerca de 3,4 bilhões de pessoas conviviam com alguma condição neurológica em 2021 — tornando as doenças do sistema nervoso a principal causa de incapacidade no mundo.
E um dos grandes focos atuais das pesquisas está justamente na inflamação crônica cerebral.
Mas o que isso significa?
O cérebro possui células de defesa, como microglia e astrócitos, responsáveis por proteger, limpar resíduos celulares e auxiliar na recuperação de danos neurológicos.
Em situações agudas, a neuroinflamação é essencial. O problema acontece quando esse sistema permanece ativado por muito tempo.
Nesse cenário, substâncias inflamatórias passam a ser liberadas continuamente e a barreira hematoencefálica — que protege o cérebro contra agentes nocivos — perde parte de sua integridade.
Esse processo pode afetar áreas importantes como:
🧠 hipocampo (memória)
🧠 córtex pré-frontal (atenção e funções executivas)
🧠 córtex motor (movimentos)
🧠 gânglios da base (controle motor e fluência)
🧠 áreas de linguagem, como Broca e Wernicke
É justamente aí que a Fonoaudiologia se conecta profundamente com a neurologia.
Alterações inflamatórias e neurodegenerativas podem impactar comunicação, linguagem, memória, voz, deglutição, fluência, processamento auditivo e funções cognitivas relacionadas à fala.
Muitas vezes, dificuldades para encontrar palavras, lentificação da fala e alterações cognitivas aparecem antes de diagnósticos mais evidentes.
Porque comunicação não acontece separada do cérebro. Ela nasce dele.
Referência:
GBD 2021 Nervous System Disorders Collaborators. Global, regional, and national burden of disorders affecting the nervous system, 1990–2021. The Lancet Neurology, 2024
19/05/2026
Na terapia da afasia, o paciente perdeu habilidades de linguagem — não sua história de vida, sua inteligência emocional ou sua identidade adulta.
Infantilizar materiais, usar figuras excessivamente infantis ou atividades incompatíveis com a faixa etária pode gerar desmotivação, constrangimento e até redução do engajamento terapêutico. O adulto com afasia continua sendo um adulto: com repertório cultural, preferências, profissão, memórias, opiniões e dignidade.
A reabilitação precisa ser funcional, significativa e respeitosa. Isso inclui utilizar:
• Imagens reais e contextualizadas;
• Temas compatíveis com a vida adulta;
• Atividades com propósito comunicativo;
• Materiais visualmente elegantes e não infantilizados;
• Estímulos que valorizem autonomia e identidade.
Quando tratamos o paciente de forma compatível com quem ele é, aumentamos vínculo terapêutico, adesão e participação comunicativa.
Afasia não transforma adultos em crianças. A terapia também não deve transformar.
18/05/2026
A reabilitação da linguagem não acontece no “automático”.
Quando trabalhamos nomeação, acesso lexical, memória semântica e fluência verbal, estamos estimulando redes cerebrais complexas envolvidas na comunicação.
E é por isso que a escolha do estímulo importa tanto.
Imagens funcionais, organizadas por categorias e próximas da realidade do paciente facilitam associação, evocação, acesso lexical e generalização para o dia a dia.
O Afasia Pro 1 foi pensado exatamente com esse objetivo:
estimular linguagem de forma prática, funcional e terapêutica.
Porque reabilitar linguagem vai muito além de “mostrar figuras”.
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Você sabia que Michael Jackson foi classificado como um tenor agudo, muitas vezes descrito como um “light lyric tenor” — ou tenorino?
As vozes são classificadas pela extensão vocal e pelo timbre: baixo (grave), barítono (médio) e tenor (agudo). O light tenor tem brilho, leveza e facilidade nos agudos — características que marcaram a voz do Michael.
Mas se você acha que Michael Jackson era só uma voz “fininha”, caiu exatamente no personagem vocal que ele criou — e isso é genial.
Michael tinha uma extensão vocal de cerca de 3 a 4 oitavas e um controle impressionante sobre como usar diferentes regiões da voz.
Na música In the Closet, por exemplo, ele acessa graves com naturalidade e muita presença vocal. E isso surpreende muita gente que associa a voz dele apenas aos agudos.
Não era uma “voz escondida”. Era escolha artística, ajuste vocal e domínio da própria identidade sonora.
E aqui entra a Fonoaudiologia: voz não é só corda vocal vibrando. É cérebro, coordenação motora, respiração, ressonância, emoção e identidade vocal trabalhando juntos.
Até na fala Michael ajustava estrategicamente o tom e a qualidade vocal — mais suave, soprosa e delicada — como parte da própria comunicação artística.
Michael não só cantava. Ele dirigia a própria voz.
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