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15/12/2025
11/11/2025

O Espelho, o Filtro e o Reforço Positivo: A Busca pela Autenticidade em Tempos de Performance

Por Eduardo Alencar 🏳️‍🌈 Eduardo Alencar – Coordenador de Atração e Seleção da Liga Solidária

A humanidade inventou o espelho para confrontar sua própria imagem e admirar sua essência. Por um tempo, ele cumpriu bem o seu papel, mas talvez tenha se tornado verdadeiro demais. A resposta da nossa geração foi esquivar-se da realidade e criar os filtros do Instagram. Essa metáfora poderosa nos convida a uma reflexão profunda, sob a ótica da Psicologia Comportamental: o quanto estamos, de fato, preparados para a autenticidade nas relações e o quanto, involuntariamente, reforçamos a superficialidade?

Na Análise do Comportamento proposta por BF Skinner, ao tentar analisar um fenômeno humano, olhamos para as consequências que mantêm um comportamento. Nossas interações sociais, hoje, estão saturadas de reforçadores intermitentes e imediatos, especialmente online. Um “like” ou um comentário positivo atua como um reforço social poderoso, mantendo o comportamento de apresentar uma versão filtrada e idealizada de nós mesmos.

O comportamento de ser superficial, de se esquivar da vulnerabilidade e de apresentar uma "fachada de sucesso", é amplamente reforçado. Em contrapartida, ser genuíno e expor a falibilidade muitas vezes é punido com o silêncio ou a crítica. Estamos, portanto, moldando uma cultura onde a superficialidade se torna a resposta de evitação mais eficiente para a punição social.

Essa dinâmica se manifesta de forma gritante no ambiente corporativo, em especial no tema do feedback. Frequentemente, pessoas e equipes pedem por feedback, mas o que realmente buscam é o reforço positivo, o elogio. Quando a crítica construtiva chega, a informação que aponta a necessidade de mudança de comportamento ou o comportamento a ser extinto, a reação comum é de esquiva, de racionalização ou até mesmo de ataque/resistência.

Isso ocorre porque o controle de estímulos associado à palavra "feedback" se tornou disfuncional. As pessoas aprenderam que feedback está associado a sentir-se bem. Elas não possuem repertório comportamental maduro (em sua maioria) para encarar o feedback como um estímulo discriminativo para a melhoria e o desenvolvimento, mas sim como uma punição para o ego.

A questão central, portanto, não reside em um "erro de caráter" da geração, mas sim nos esquemas de reforço que a sociedade, e o próprio ambiente de trabalho, estabeleceram. Queremos que as pessoas sejam verdadeiras conosco, mas não fornecemos o ambiente de segurança psicológica (o contexto) onde a vulnerabilidade é reforçada e a autenticidade é discriminada como a resposta mais vantajosa a longo prazo. É uma contradição. Cobramos maturidade para lidar com fraquezas, vulnerabilidades e comportamentos inadequados, mas nosso sistema de recompensas privilegia quem esconde esses aspectos e performa a perfeição.

O desafio para os profissionais de RH e líderes, especialmente aqueles focados em Cultura e DEI – Diversidade, Equidade e Inclusão, é inverter esse jogo. Não podemos apenas exigir autenticidade, precisamos criar as contingências e ambiente seguro para que ela ocorra e respeitando a diferença e não reforçando padrões de beleza inalcançáveis. Isso significa desenhar ambientes onde a vulnerabilidade não seja punida e que o diferente não seja excluído, mas sim reforçada com apoio e oportunidades de desenvolvimento. Onde o feedback seja ensinado e praticado como uma ferramenta de análise comportamental mútua e não como um evento de avaliação moral.

É preciso reforçar o comportamento de ouvir, de aceitar e de usar a crítica construtiva e não digo isso apenas em ambiente formal corporativo. Em nosso dia-a-dia estamos constantemente oferecendo e recebendo comportamentos verbais carregados de feedbacks, desde: "Você ficou ótima com esse corte de cabelo" ou até "nossa, a comida hoje está salgada".

Em última análise, se queremos relações mais verdadeiras, seja na vida pessoal ou no ambiente de trabalho, a responsabilidade é de todos nós na reformulação das contingências. Não podemos esperar só que as Organizações tracem intervenções por nós, temos que trabalhar rotas de autoconhecimento como psicoterapia, meditação e espiritualidade, sendo essa ultima não associada a uma determinada religião, mas em buscar propósito maior para o nosso ser (alma): quem somos, o que estamos fazendo nessa existência, qual o sentido da nossa vida? Quem eu sou de verdade? Vivo o meu eu ou uma persona para agradar os outros?

Precisamos parar de reforçar a imagem filtrada que nos adoece em busca de padrões de beleza e performance e começar a reforçar o comportamento de ser real, humano, autêntico e solidário. Só assim, trocando o filtro pela honestidade e o like vazio por uma conexão significativa, poderemos construir uma geração, uma sociedade e um ambiente corporativo, verdadeiramente preparados para a complexidade e a beleza da natureza humana não-filtrada.

09/10/2025

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04/10/2025

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