Dinah R. Paula
Nutrologia
CRM-SP 60295 - RQE 17.746
Quem usa levotiroxina sempre pergunta se os análogos de GLP-1 podem “atrapalhar” a tireoide.
Até o momento, os estudos não mostram prejuízo relevante na absorção da medicação quando ela é usada corretamente.
O ponto importante é outro: quando o paciente emagrece, melhora metabolismo e reduz inflamação, muitas medicações precisam ser reavaliadas, inclusive as da tireoide.
Por isso, acompanhamento é fundamental durante o tratamento.
Emagrecimento muda fisiologia, composição corporal e resposta metabólica. E isso exige ajuste individualizado.
📍Dra. Dinah Ribeiro — CRM-SP 60.295 | RQE 17.746
28/05/2026
Os estudos apresentados no ECO 2026 reforçam algo que já observamos diariamente na prática clínica: o maior desafio não é apenas emagrecer… é manter os resultados ao longo do tempo.
Os dados dos estudos SURMOUNT-MAINTAIN e ATTAIN-MAINTAIN mostraram que a continuidade do tratamento favorece a manutenção da perda de peso e dos benefícios cardiometabólicos.
Em muitos casos, a interrupção completa da medicação aumenta o risco de reganho.
Isso não significa que todos os pacientes precisarão usar a mesma estratégia para sempre, mas reforça que obesidade é uma doença crônica e que o acompanhamento precisa ser individualizado.
A medicina metabólica está caminhando para um modelo muito mais sustentável: menos foco em soluções rápidas e mais foco em manutenção, composição corporal e saúde a longo prazo.
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📚 Referências:
SURMOUNT-MAINTAIN — The Lancet
DOI: 10.1016/S0140-6736(26)00656-2
ATTAIN-MAINTAIN — Nature Medicine
DOI: 10.1038/s41591-026-04386-7
▫️33rd European Congress on Obesity (ECO 2026)
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A menopausa não muda apenas os hormônios. Ela muda a forma como o corpo responde ao metabolismo.
Com a queda do estradiol, aumenta a resistência insulínica, muda a distribuição da gordura corporal e a mulher passa a ter mais dificuldade de controlar fome e saciedade.
Por isso, muitas pacientes relatam ganho de gordura abdominal justamente nessa fase, mesmo sem grandes mudanças na rotina.
Hoje já existem estudos mostrando que mulheres em reposição hormonal podem ter uma resposta ainda melhor aos análogos de GLP-1, como semaglutida e tirzepatida.
E para quem não pode ou não deseja fazer reposição hormonal, os análogos também podem ajudar bastante no controle metabólico e na composição corporal.
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25/05/2026
Muita gente ainda acredita que os análogos de GLP-1 fazem o trabalho sozinho. Mas essa imagem ilustra exatamente o que vejo no consultório todos os dias: quando a medicação entra sem estratégia, o corpo emagrece…mas pode perder junto músculo, energia, força e saúde metabólica.
O problema nunca foi “comer menos”, mas sim emagrecer sem preservar o que sustenta o metabolismo.
Por isso, tratamento sério da obesidade precisa de:
• proteína adequada
• treino de força
• sono
• acompanhamento
• ajuste metabólico individualizado
As “canetinhas emagrecedoras” são ferramentas extremamente importantes na medicina metabólica moderna. Mas resultado de verdade acontece quando o emagrecimento faz parte de um tratamento individualizado e acompanhado por um profissional.
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“Mas eu uso análogo e minha insulina continua alta…” Isso acontece mais do que as pessoas imaginam.
O medicamento ajuda muito no controle da fome e da resistência insulínica, mas ele não consegue compensar sozinho um metabolismo sobrecarregado por excesso de carboidrato, baixa massa muscular, sedentarismo e sono ruim.
Insulina alta não está relacionada somente a comida. É também sobre músculo, inflamação, estresse e rotina metabólica.
Por isso, os melhores resultados aparecem quando o tratamento deixa de ser apenas “a caneta” e passa a envolver estratégia completa: treino resistido, ajuste alimentar, sono e construção de massa magra.
Análogo potencializa o processo, mas o estilo de vida continua sendo a base do resultado.
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20/05/2026
Os agonistas de GLP-1 podem impactar também ansiedade e depressão?
Um estudo publicado no The Lancet Psychiatry levantou essa discussão após analisar dados de quase 100 mil pessoas na Suécia entre 2009 e 2022.
Os pesquisadores observaram que pacientes com depressão e ansiedade que passaram a usar agonistas de GLP-1, especialmente semaglutida, apresentaram redução importante em internações psiquiátricas e afastamentos prolongados do trabalho relacionados à saúde mental.
Além disso, também houve redução no uso de substâncias durante o período de tratamento.
Os autores levantam algumas hipóteses para explicar esses resultados:
• melhora metabólica e da inflamação
• perda de peso e melhora da autoimagem
• possível ação nos sistemas de recompensa cerebral
Mas é importante lembrar: o estudo foi observacional.
Ou seja, ele mostra associação, mas não prova causalidade.
Ainda são necessários estudos clínicos mais robustos para entender se existe um efeito neurobiológico direto dessas medicações sobre sintomas psiquiátricos.
Mesmo assim, os dados reforçam algo que a medicina metabólica já vem mostrando há algum tempo: metabolismo, inflamação, cérebro e saúde emocional estão profundamente conectados.
📚 Fonte:
The Lancet Psychiatry
DOI: 10.1016/S2215-0366(26)00014-3
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Envelhecer bem não é apenas viver mais.
É preservar músculo, autonomia, equilíbrio e qualidade de vida.
E sim: os análogos de GLP-1 também podem ser grandes aliados na terceira idade, desde que exista acompanhamento adequado.
Nessa fase, o objetivo nunca deve ser “emagrecer rápido”.
O foco é reduzir gordura sem sacrificar massa muscular, imunidade e funcionalidade.
Por isso, pacientes mais velhos exigem uma condução mais cuidadosa: progressão lenta de dose, atenção aos efeitos colaterais e monitoramento constante de composição corporal e saúde óssea.
A medicina metabólica também é sobre envelhecer com mais independência e menos inflamação.
📍Dra. Dinah Ribeiro — CRM-SP 60.295 | RQE 17.746
Testosterona baixa nem sempre começa no hormônio.
Muitas vezes, começa na inflamação e no excesso de gordura visceral.
O homem com obesidade frequentemente entra num ciclo de baixa energia, pior composição corporal, resistência insulínica e queda hormonal progressiva.
Quando há redução da gordura corporal (principalmente visceral) o organismo volta a criar um ambiente mais favorável para a produção natural de testosterona.
Por isso, em muitos pacientes, melhorar o metabolismo acaba melhorando também libido, disposição e performance física.
Antes de pensar apenas em reposição hormonal, vale investigar o que o corpo está tentando sinalizar.
📍Dra. Dinah Ribeiro — CRM-SP 60.295 | RQE 17.746
14/05/2026
No mês das mães, vale revisitar uma das discussões importantes da ciência em 2025: a deficiência de ferro durante a gestação.
Um estudo publicado no American Journal of Obstetrics and Gynecology mostrou que uma única dose de ferro intravenoso no segundo trimestre foi mais eficaz do que o tratamento oral em gestantes com anemia ferropriva moderada.
Os resultados mostraram redução no risco de baixo peso ao nascer e menor necessidade de transfusões sanguíneas.
A deficiência de ferro ainda é extremamente comum na prática clínica, e muitas vezes subestimada.
Cansaço excessivo, queda de cabelo, falta de ar, baixa energia e dificuldade de recuperação podem fazer parte desse cenário.
Quando existe indicação correta, o tratamento adequado muda desfechos importantes para mãe e bebê.
📍 Dra. Dinah Ribeiro | Nutrologia
CRM-SP 60.295 | RQE 17.746
13/05/2026
Viva a ciência!
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