Rosangela Haydem
Pós Graduada em Física da Consciência especialista em Alzheimer. Informação clara, prevenção em escolha e conhecimento em cuidado real.
Lito Sousa é piloto, mecânico de aeronaves, escritor e um dos maiores divulgadores de aviação do Brasil. Criador do canal Aviões e Músicas, ele construiu uma trajetória levando conhecimento sobre aviação para milhões de pessoas. Agora, aos 59 anos, Lito enfrenta talvez o momento mais difícil de sua vida: recebeu o diagnóstico de doença de Creutzfeldt-Jakob (DCJ), uma doença neurodegenerativa rara, progressiva e, até o momento, sem cura.
Em um vídeo gravado no dia em que recebeu o diagnóstico, Lito aparece emocionado. Um homem acostumado a explicar máquinas, voos, acidentes e a ciência por trás da aviação agora precisava falar sobre algo para o qual ninguém está verdadeiramente preparado: a possibilidade da própria finitude.
E então ele disse uma frase que me atravessou:
“O jogo só acaba quando termina.”
Lito é palmeirense e usou o futebol para falar de esperança. Mas naquele momento já não era mais sobre futebol. Era sobre continuar acreditando quando o prognóstico diz o contrário. Era sobre permanecer no jogo enquanto ainda existe jogo.
Como alguém que estuda o cérebro e as doenças neurodegenerativas, sei que precisamos respeitar a ciência. A doença de Creutzfeldt-Jakob é gravíssima. Esperança não substitui diagnóstico, tratamento ou evidência científica.
Mas existe algo que a medicina também não pode retirar de uma pessoa: o direito de ter esperança enquanto estiver viva.
Talvez por isso esse vídeo esteja emocionando tanta gente.
Porque Lito não falou apenas sobre a doença dele.
Falou para todos nós que, em algum momento, recebemos uma notícia ruim, perdemos alguém, vimos um projeto desmoronar ou pensamos que não havia mais saída.
Enquanto estivermos aqui, ainda existe vida acontecendo.
O jogo só acaba quando termina.
Força, Lito. Continue no jogo.
Um esquecimento que parece simples hoje pode merecer atenção quando começa a se repetir.
Esquecer onde colocou o celular, entrar em um cômodo e não lembrar o que foi fazer, repetir uma pergunta, esquecer um compromisso, ter dificuldade para lembrar uma palavra ou perceber que tarefas antes automáticas estão exigindo mais esforço não significa, isoladamente, Doença de Alzheimer. Esquecimentos podem acontecer por estresse, privação de sono, ansiedade, depressão, uso de medicamentos, alterações hormonais, deficiência de vitamina B12 e várias outras condições. Mas quando há mudança em relação ao funcionamento habitual da pessoa, frequência crescente ou interferência na vida cotidiana, é importante investigar.
Faça um exercício durante 30 dias: anote cada episódio de esquecimento, mesmo aquele que parece pequeno. Registre a data, o que aconteceu, onde você estava, o que estava fazendo e, se possível, quanto havia dormido e se estava particularmente cansada ou estressada. Não tente decidir sozinha se aquele esquecimento é “normal” ou “grave”. Apenas registre.
Ao final dos 30 dias, leve essas anotações para uma consulta com neurologista, geriatra ou psiquiatra. Esse registro não diagnostica Alzheimer, mas pode oferecer informações importantes sobre frequência, padrão, progressão e impacto dos sintomas. O médico poderá associar esse histórico à entrevista clínica, avaliação cognitiva, exame físico e, quando indicado, exames laboratoriais ou de imagem para investigar a causa.
A Doença de Alzheimer não é diagnosticada porque alguém esqueceu a chave ou o celular. O diagnóstico exige avaliação médica. Mas perceber uma mudança e chegar à consulta com informações concretas pode tornar a investigação muito mais precisa.
Durante os próximos 30 dias, não ignore o que a sua memória está tentando lhe mostrar. Observe. Anote. E, se os esquecimentos estiverem se repetindo ou interferindo na sua rotina, procure avaliação médica.
26/08/2026
ENTREI NO QUARTO E ESQUECI O QUE FUI BUSCAR. ISSO É PROBLEMA DE MEMÓRIA?
Você levanta da cadeira, vai até a cozinha e, quando chega lá, para e pensa: “O que eu vim fazer aqui?”
Isso acontece com você?
Esse tipo de esquecimento, isoladamente, não significa doença de Alzheimer. Muitas vezes, o problema não está exatamente em “perder” uma memória, mas na forma como a informação estava sendo mantida ativa por alguns segundos.
Para executar uma intenção — “vou até a cozinha pegar meus óculos” — o cérebro precisa manter esse objetivo temporariamente disponível enquanto você se desloca. A memória de trabalho participa desse processo. Se, nesse intervalo, sua atenção é desviada por um pensamento, uma conversa, uma notificação no celular ou outra informação, aquela intenção pode deixar de estar imediatamente acessível.
Existe ainda um fenômeno estudado na psicologia cognitiva conhecido como doorway effect, ou “efeito da porta”. A mudança de um ambiente para outro pode funcionar como uma mudança de contexto para o cérebro. Em determinadas situações experimentais, atravessar uma porta foi associado a maior dificuldade para recuperar uma informação que estava sendo mantida na memória.
Por isso, chegar a um cômodo e esquecer momentaneamente o que foi fazer ali pode acontecer até com pessoas saudáveis.
O que merece mais atenção é quando as dificuldades começam a ser frequentes, progressivas e passam a interferir na vida cotidiana: repetir perguntas sem perceber, esquecer informações recentes importantes, perder-se em lugares conhecidos ou ter dificuldade para realizar atividades que antes eram familiares.
Na minha próxima palestra gratuita, nós vamos conversar justamente sobre isso: o que é um esquecimento comum e quais alterações da memória não devem ser ignoradas.
Agora me responda: você também entra em um cômodo e, de repente, esquece completamente o que foi buscar?
26/08/2026
“Estou esquecendo as coisas. Será que estou com Alzheimer?”
Essa é uma das perguntas que mais assusta quem começa a perceber mudanças na própria memória.
Esquecer onde colocou o celular, entrar em um cômodo e não lembrar imediatamente o que foi buscar ou demorar para lembrar o nome de alguém não significa, isoladamente, que uma pessoa esteja desenvolvendo a doença de Alzheimer.
O que precisamos observar é a mudança de padrão. Você começou a repetir a mesma pergunta várias vezes? Está esquecendo acontecimentos recentes com frequência? Começou a ter dificuldade para realizar tarefas que antes eram simples? Está se confundindo com datas, lugares ou compromissos? Alguém próximo percebeu uma mudança na sua memória antes mesmo de você?
A memória pode ser afetada por diversos fatores, incluindo privação de sono, estresse, depressão, alguns medicamentos, deficiência de vitamina B12 e outras condições que precisam ser investigadas. Por isso, perceber uma alteração persistente não é motivo para entrar em pânico — é motivo para prestar atenção e procurar avaliação profissional.
Na minha próxima palestra gratuita, eu quero ensinar você a olhar para a própria memória de uma maneira diferente: entender o que pode ser um esquecimento comum, quais mudanças merecem atenção e, principalmente, o que podemos começar a fazer hoje para proteger o cérebro.
Agora quero fazer uma pergunta importante:
Qual foi o esquecimento que fez você pensar: “isso está começando a me preocupar”?
Escreva nos comentários. Quero preparar essa palestra a partir das dúvidas reais de vocês.
25/08/2026
SOPA DE ERVILHA: uma receita simples para colocar mais nutrientes no seu prato
Quando a noite está mais fria, uma sopa de ervilha pode ser uma excelente opção para o jantar. E não é apenas uma comida confortável: a ervilha é uma leguminosa rica em proteínas vegetais, fibras, folato (vitamina B9), vitamina B1, ferro, magnésio e potássio.
As fibras ajudam na saúde intestinal, no controle da glicemia e aumentam a saciedade. O folato participa de processos importantes para o funcionamento do sistema nervoso, enquanto vitaminas do complexo B estão envolvidas no metabolismo energético e na função cerebral. Além disso, incluir leguminosas regularmente na alimentação é uma forma simples de aumentar a qualidade nutricional da dieta.
Minha sopa de ervilha
Ingredientes:
- 2 xícaras de ervilha seca
- 1 cebola picada
- 3 dentes de alho
- 1 cenoura cortada em cubinhos
- 1 colher de sopa de azeite extravirgem
- 1 folha de louro
- Cúrcuma a gosto
- Pimenta-do-reino a gosto
- Cheiro-verde
- Água suficiente para o cozimento
- Sal com moderação
Como preparar:
Lave bem as ervilhas. Refogue a cebola e o alho, acrescente a cenoura, a ervilha, o louro e a água. Cozinhe até que a ervilha esteja bem macia e a sopa cremosa. Se usar panela de pressão, o preparo será mais rápido. Depois de pronta, ajuste o sal, acrescente a cúrcuma, a pimenta-do-reino e finalize com cheiro-verde e um fio de azeite extravirgem.
E uma observação importante: não é a sopa de ervilha isoladamente que “previne Alzheimer” ou melhora a memória. O que protege o cérebro ao longo dos anos é o conjunto: alimentação de boa qualidade, exercício físico, sono adequado, aprendizado contínuo, controle dos fatores cardiovasculares e vida social ativa.
Cuidar do cérebro também começa na cozinha.
Aprender a tocar um instrumento musical não é apenas aprender música. É colocar o cérebro para trabalhar.
Quando você começa a aprender piano, violão, teclado ou qualquer outro instrumento, precisa coordenar movimentos das mãos, prestar atenção ao ritmo, reconhecer sons, lembrar sequências, acompanhar o tempo e corrigir erros. Esse conjunto de tarefas recruta diferentes redes cerebrais ao mesmo tempo e estimula processos importantes para a memória, atenção, coordenação motora e aprendizagem.
E existe algo especialmente importante aqui: aprender algo novo. Não basta apenas repetir aquilo que o cérebro já domina. O desafio de adquirir uma nova habilidade favorece a neuroplasticidade — a capacidade que o cérebro possui de modificar e fortalecer suas conexões em resposta às experiências e ao treinamento.
Você não precisa querer se tornar músico. Pode começar aos 50, 60, 70 anos ou mais. Escolha um instrumento, aprenda uma música simples e permita-se errar muitas vezes. Para o cérebro, cada tentativa faz parte do aprendizado.
Se você quer cuidar da sua memória, continue aprendendo coisas que ainda não sabe fazer. Um cérebro desafiado é um cérebro que continua construindo novas conexões.
25/08/2026
Você não está esquecendo porque envelheceu. Pode ser falta de vitamina B12.
Esquecer onde colocou as chaves, ter dificuldade para se concentrar, sentir o raciocínio mais lento ou perceber falhas de memória não deve ser automaticamente atribuído à idade. A deficiência de vitamina B12 pode provocar alterações neurológicas e cognitivas, incluindo problemas de memória, atenção, confusão mental e alterações de humor. E existe um detalhe importante: a deficiência pode estar presente mesmo antes de aparecer uma anemia evidente.
A vitamina B12 participa da manutenção do sistema nervoso, da formação das células sanguíneas e de processos essenciais para o funcionamento dos neurônios. Por isso, quando seus níveis estão baixos, o cérebro também pode sentir.
Três alimentos naturalmente ricos em vitamina B12:
1. Sardinha — além da vitamina B12, oferece proteínas e ácidos graxos ômega-3, nutrientes importantes para a saúde cerebral.
2. Ovos — principalmente a gema. São uma forma prática de incluir vitamina B12 na alimentação cotidiana.
3. Fígado bovino — é uma das fontes alimentares mais concentradas de vitamina B12.
Mas atenção: comer alimentos com B12 nem sempre resolve uma deficiência. Algumas pessoas têm dificuldade de absorção da vitamina, especialmente por alterações gastrointestinais, uso prolongado de determinados medicamentos ou outras condições. Nesses casos, é necessário investigar.
Se a sua memória mudou, não aceite simplesmente a frase: “é a idade”. Procure a causa. Uma avaliação clínica e exames laboratoriais podem identificar fatores potencialmente tratáveis, entre eles a deficiência de vitamina B12.
Cuidar da memória também é investigar aquilo que o cérebro pode estar tentando avisar.
25/08/2026
Meu dia começou com as compras do supermercado. E até na hora de escolher o que vai para o carrinho eu penso no cérebro.
Hoje, três alimentos vieram comigo: fígado bovino, quiabo e beterraba.
O fígado bovino é um dos alimentos mais concentrados em vitamina B12, além de fornecer ferro, folato e outros micronutrientes importantes. A vitamina B12 participa do funcionamento adequado do sistema nervoso e sua deficiência pode estar associada a alterações cognitivas e neurológicas.
O quiabo é fonte de fibras, folato, vitamina C e compostos antioxidantes. As fibras também ajudam a cuidar da microbiota intestinal — e hoje sabemos que intestino e cérebro mantêm uma comunicação constante por meio do chamado eixo intestino-cérebro.
E a beterraba tem uma característica que gosto muito: é naturalmente rica em nitratos. No organismo, eles participam da produção de óxido nítrico, que favorece a dilatação dos vasos sanguíneos e o fluxo de sangue. Além disso, a beterraba contém pigmentos antioxidantes chamados betalaínas.
Nenhum alimento, sozinho, previne a doença de Alzheimer. O que protege o cérebro é o conjunto das nossas escolhas ao longo da vida: alimentação, exercício físico, sono adequado, novos aprendizados e relações sociais.
Por isso, quando vou ao supermercado, não penso apenas no que vou comer hoje. Penso no cérebro que quero ter daqui a 10, 20, 30 anos.
Seu carrinho de supermercado também pode ser uma escolha de saúde cerebral.
24/08/2026
QUAL É A MELHOR VITAMINA PARA A MEMÓRIA?
Muita gente percebe que está esquecendo mais e imediatamente procura no Google: “qual é a melhor vitamina para memória?”
E uma das primeiras vitaminas que aparece quando falamos de cérebro e memória é a vitamina B12.
A deficiência de vitamina B12 pode provocar alterações neurológicas e sintomas como confusão, pensamento mais lento, esquecimento e perda de memória. Por isso, diante de uma mudança cognitiva, investigar uma possível deficiência pode fazer parte da avaliação médica. O National Institutes of Health (NIH) inclui problemas de memória entre as manifestações possíveis da deficiência de B12.
Mas aqui está a informação que eu quero que você guarde:
Se você não tem deficiência, tomar vitamina não significa que sua memória ficará melhor.
As novas diretrizes da Organização Mundial da Saúde, publicadas em julho de 2026, são claras: para pessoas sem deficiência diagnosticada, a suplementação de vitaminas B, vitamina E, ômega-3 e multivitamínicos/minerais não é recomendada especificamente para reduzir o risco de declínio cognitivo ou demência.
Então, se você está esquecendo nomes, compromissos, conversas ou tarefas que antes fazia normalmente, não tente simplesmente resolver o problema comprando uma vitamina.
Investigue por que você está esquecendo.
Pode existir uma deficiência nutricional? Sim.
Mas alterações na memória também podem estar relacionadas a outros fatores e condições que precisam ser avaliados.
O pior caminho é mascarar uma mudança importante da memória durante meses tomando suplementos por conta própria enquanto a verdadeira causa continua sem investigação.
A melhor “vitamina para memória” não é necessariamente aquela que está na prateleira da farmácia.
Primeiro descubra se existe uma deficiência.
Depois trate aquilo que realmente precisa ser tratado.
E se os esquecimentos estão se tornando frequentes ou interferindo na sua rotina, procure avaliação profissional.
Memória mudou? Investigue. Não normalize.
Fontes: Organização Mundial da Saúde (OMS), Risk reduction of cognitive decline and dementia, 2ª edição, 2026; National Institutes of Health (NIH), Office of Dietary Supplements.
A memória também se alimenta.
Eu reuni no e-book 10 Alimentos Neuroprotetores alimentos que podem fazer parte de uma rotina voltada à saúde do cérebro, com explicações simples para você entender por que eles merecem espaço na sua alimentação.
Não é sobre procurar um alimento milagroso. É sobre construir, todos os dias, hábitos que favoreçam a saúde cerebral, a memória e a longevidade com lucidez.
Você cuida do coração. Cuida da pele. Cuida do corpo. Mas o que você tem colocado no prato para cuidar do seu cérebro?
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