Dra Elida Bassetti
Neurologista
Membro Titular da Academia Brasileira de Neurologia
Acredito que escuta e olhar atentos são fundamentais na relação medico-paciente.
O uso de anabolizantes androgênicos sem indicação e acompanhamento médico tem aumentado. Essas substâncias podem impactar significativamente o risco de eventos cardiovasculares e cerebrovasculares, incluindo o AVC, especialmente em pessoas jovens e aparentemente saudáveis.
Os mecanismos envolvidos incluem maior tendência a formação de trombos, como falado no vídeo, mas também pode envolver aumento da pressão arterial, alterações do colesterol, policitemia (elevação do hematócrito),disfunção endotelial e alterações cardíacas que favorecem a embolização cerebral.
Por isso, diante de um paciente jovem com AVC sem causa aparente, o uso de anabolizantes deve sempre fazer parte da investigação de fatores de risco.
Entre protocolos, escalas e decisões rápidas, existe algo que nenhuma técnica substitui: escutar.
Essa semana o atendimento de um paciente com AVC me lembrou disso mais uma vez. Nem sempre o que ele precisa está apenas nos exames ou nos algoritmos — às vezes está no olhar, na angústia silenciosa, na necessidade de ser visto como pessoa antes de ser diagnóstico.
E é por isso que tenho tanto orgulho da equipe médicos, enfermeiros, técnicos, fisioterapia, fonoterapia e nutrição que vão além da qualidade técnica: acolhem, escutam, percebem detalhes e transformam cuidado em presença.
Porque tratar o AVC exige ciência.
Mas reabilitar histórias exige humanidade.
Parabéns a todos vocês por exercerem os dois com tanta competência e sensibilidade. 💙
Quando falamos em AVC, quase sempre pensamos em fraqueza, fala e sensibilidade.
Mas existem consequências pouco comentadas que impactam profundamente a qualidade de vida
👉 Incontinência esfincteriana
👉 Dor neuropática central
👉 Sedentarismo pós-AVC
Falar sobre isso é parte do cuidado.
Informação também é reabilitação.
Fontes:
https://doi.org/10.1161/01.STR.29.2.
https://doi.org/10.1016/j.jpain.2024.104666
https://doi.org/10.2340/16501977-2852
Você sabia que o Alzheimer começa muito antes da demência?
O comprometimento cognitivo leve (CCL) é uma fase inicial, em que as alterações de memória já existem, mas a autonomia ainda está preservada.
Por isso, essa é hoje a principal janela de oportunidade para as novas terapias modificadoras da doença.
20/12/2025
Nos vemos em 2026!
No AVC, o tempo não é um detalhe. Ele é decisivo.
A cada minuto sem tratamento, milhões de neurônios deixam de funcionar. Isso significa mais risco de sequelas, maior comprometimento da fala, do movimento, da memória e, em muitos casos, da própria vida.
Reconhecer os sinais rapidamente e buscar atendimento imediato faz diferença real no desfecho do paciente. O AVC é uma emergência médica. Quanto mais cedo o atendimento, maiores são as chances de recuperação.
Informação salva tempo. E tempo salva cérebro.
Acompanhe parte do primeiro episódio do podcast “De Frente com o AVC”, que tive a oportunidade de conduzir ao lado de colegas comprometidos com a conscientização sobre essa condição tão prevalente e incapacitante.
Falar sobre AVC é uma forma de cuidar.
Nunca sabemos quem, quando ou onde ele pode acontecer, e quanto mais pessoas souberem reconhecer os sinais e agir rapidamente, mais vidas poderão ser salvas.
Já que o assunto é Haloween, vamos falar sobre um assunto que é um terror para muitas pessoas: Herpes-Zóster
O Outubro Rosa nos lembra da importância do diagnóstico precoce e do tratamento do câncer de mama, mas quero trazer à tona algo menos divulgado: a relação entre o câncer e o risco de AVC.
Alguns tumores e tratamentos aumentam o risco de eventos trombóticos, que comprometem a circulação cerebral e podem resultar em um AVC.
Entender essa associação é essencial para oferecer um cuidado mais amplo e seguro às pessoas em tratamento oncológico.
Prevenção também é olhar o corpo como um todo, com atenção, ciência e cuidado integral.
AVC não é uma doença exclusiva de idosos. Muitos jovens infelizmente tem sido diagnosticados e entender a causa é fundamental para prevenir novos eventos.
Fatores como uso de anticoncepcionais, tabagismo, doenças autoimunes, cardiopatias e distúrbios genéticos podem estar por trás do quadro. Por isso, investigar com profundidade é parte essencial do tratamento.
O diagnóstico certo permite uma conduta precisa, evita recidivas e pode até revelar doenças raras que passam despercebidas.
Informação é prevenção. E quando se trata de cérebro, o tempo e o conhecimento fazem toda a diferença.
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